quinta-feira, junho 23, 2005

Golpe pra que?

O que não faltou na ultima semana foram petistas acusando, que um golpe contra seu governo estava sendo tramado. No começo dei muita risada, mas como tem muita gente que acredita nisso resolvi escrever este textinho.

Pra começar todo golpe precisa de motivos, golpe pra que? Qual atitude de Lula que desagrada tanto as elites, os banqueiros, o FMI, a Rede Globo, a ponto deles preparem um golpe?

Eu lhes respondo, nenhum.

Muito pelo contrário as elites deviam é agradecer ao Lula por fazer o que FHC não teve a “vontade política”de realizar, como o recente maior superávit primário da historia de 7,26%.

No mais o governo é a continuação do FHC em quase todas as áreas (faço ressalva a área cultural e de informática). Qual mudança de política desagrada tanto as elites na educação, ou na saúde, ou na economia, ou nos transportes, ou na área energética, ou na área ambiental, ou no campo. Qual mudança de política poderia desencadear um movimento para derrubar este governo?

Se em 64 as reformas de base assustaram a burguesia nacional, a classe média e os militares, que reformas o Lula fez ou faria para assustar estes grupos? A reforma da previdência? A reforma trabalhista? A independência do Banco Central?

Sem fatos concretos resta aos petistas reclamar do comportamento da Veja, que tenta desestabilizar o governo. Mas não é assim que funciona a democracia, ou será que deveríamos “regular” todas as revistas que tentam desestabilizar todos governos? Ou esta regra só vale pra este governo apenas?

Pois é, meus amigos, tá na hora dos petistas lançarem a campanha “Fica Lula” com a variante “Fica Lula/FMI” e mostrar que o comportamento desta oposição sim, é claramente golpista. Só não vê quem não quer.


André Greve Pereira

quinta-feira, junho 02, 2005

Software LIvre que é Sucesso

É lugar comum falar da continuidade do governo Lula em relação as políticas implantadas pelo FHC, contudo em duas áreas houveram modificações significativas em sua política na área cultural e na área de informática.

Na área de informática o governo federal, seguindo a experiência do governo de Olívio Dutra no RS, resolveu investir na difusão dos software livres (SL). O principal projeto é o recém lançado PConectado que pretende subsidiar a compra de computadores que rodem SLs até 1400 reais para famílias de baixa renda.

Mas por que os software Livres seriam importantes?

1- Economia de Custos

2- Segurança

3- Efeitos de Rede – O valor dos programas

4- Custo social de combate à pirataria

5- Inversão da propriedade intelectual – Copyleft

6- Tendência já estabelecida - O Futuro é Livre

1- Economia de Custos

Quanto custa uma licença do Windows para uma maquina? 100 reais, 200reais, 300reais... Quanto custa uma licença do pacote Oficce da Microsoft? Outros 100, 200, 300 reais... Quanto custa o sistema operacional Linux? È grátis se quiser baixar na internet, custa 10 reais na banca de revistas, ou 100 reais com manual e assistência técnica. E o pacote Office?A mesma coisa.

A economia é muito grande quando se contabiliza os custos no Brasil inteiro; veja a pesquisa da Softex/Unicamp (http://twiki.im.ufba.br/bin/view/PSL/Noticia20050428141923) que afirma:

“Estima-se que no Brasil (...) Além disso, o não pagamento de licenças pode significar uma economia de cerca de R$ 85 milhões/ ano.”

2- Segurança

Já ouviram a piada de que Atlântida era um continente que regulava suas comportas utilizando o Windows? Provavelmente não, mas a questão é a seguinte, sempre que a segurança e a estabilidade são muito importantes às empresas e instituições utilizam software livre.

Sabe o que a NASA, o Google, e 70% dos servidores na internet têm em comum, todos rodam SLs.

Para entender exatamente o que um software esta fazendo é necessário ver o seu código fonte (linhas de código) e não apenas ver o seu formato binário (ex: 01010101110) no qual os software proprietários são distribuídos.

3- Efeitos de Rede

Quanto vale um software? As teorias do valor-trabalho ou valor-utilidade explicam pouco o valor de um software, pois para ele (e para a maioria dos bens intelectuais) o seu valor é dado pela quantidade de usuários.

Quanto mais usuários o Windows tiver, mais ele vale e mais desejável ele se torna. O mesmo vale pra o Word, o MSN, o Linux, O OpenOffice. Isso significa que ao utilizar um Windows (pirata ou não) ou um Linux qualquer, a pessoa esta acrescentado valor a este software e esta incentivando seu uso.

Estes efeitos de rede explicam o porque software da mesma qualidade tem um valor menor. (Linux x Windows ou Microsoft Office x OpenOficce)

4- Custo social da Pirataria

Uma Outra conta que deve ser feita é o custo do estado em combater a pirataria. Recentemente os EUA colocaram o Brasil numa lista de paises que não respeitam a propriedade intelectual e ameaçam com retaliações comerciais, a União Européia está em vias de fazer o mesmo.

O custo de vigiar as pessoas quanto à pirataria de software é um custo, a mais, a ser arcado pelo estado. Além do mais, isso é pretexto para uma serie de tentativas de redução da liberdade; programas de troca de arquivos como o Napster são ilegais nos EUA, o próximo Windows (Longhorn) só rodará programas com certificado da Microsoft.

5- Inversão da propriedade intelectual – Copyleft

Esta é a grande sacada dos software livres (e daí o seu nome) é a inversão das licenças de propriedade intelectual, do copyright para o copyleft. Os SL são licenciados de uma forma que permite a qualquer pessoa; copiar, distribuir, vender os originais, modificar, vender versões modificadas do software, contanto que as versões modificadas também permitam todas estas liberdades.

Estas inversão na propriedade intelectual cria um circulo vicioso de difusão do conhecimento livre.

Exemplo: A Debian (grupo internacional de usuários) criou um Linux que roda direto do CD, o governo brasileiro (assim como outros paises) gostou da idéia e criou um Linux que roda do CD traduzido para o português o Kurumin. O Kurumim serviu de base para a criação de outros programas e outras distribuições Linux como o Kalango.

Mas o maior feito do copyleft é ele não se reduzir aos software, mas ser aplicado a todo o conhecimento, invertendo assim a idéia de propriedade privada que a informação tem. Exemplos de projetos de conhecimento livre são:

http://pt.wikipedia.org - Enciclopédia Livre

http://search.yahoo.com/cc - Material licenciado pela Creative Commons

6- Tendência já estabelecida - O Futuro é Livre

A internet tornou desnecessário o financiamento de um suporte físico para a reprodução e distribuição da informação. A difusão desta rede internacional criou o ambiente propício para a criação de um movimento mundial pelo conhecimento livre no qual os software livres são sua “vanguarda”.

“O sistema Linux respondeu em 2003, por 9% do mercado mundial de sistemas operacionais e a estimativa é que em 2007 seja responsável por 18%.” Softex/Unicamp

Lutar pelo software livre hoje, parece coisa de quem não tem o que fazer, mais acreditem no futuro isso fará uma diferença danada.

Por: André Greve Pereira

sábado, maio 07, 2005

Felicidade e Economia

A felicidade é principal objetivo dos homens individualmente, já o principal objetivo dos governos é o crescimento econômico e não a felicidade geral.

Recentemente assisti à monografia de Ana Carolina lá na faculdade (FCE-UFBA) sobre a economia da felicidade. Ela comprovou a tese do economista Eduardo Gianneti em seu livro “Felicidade” que era a seguinte: O crescimento econômico só aumenta o índice geral de felicidade quando tira as pessoas da pobreza, depois disso o crecimento econômico não traz um aumento de felicidade absoluto para o conjunto da população.

Exemplos (Ganneti): Os níveis de felicidade agregados dos EUA e Japão praticamente não se alteraram de 1960 ao ano 2000, apesar de sofrerem variações anuais.

Outra tese que a Ana Carolina demonstra é a de que dentro de uma sociedade as pessoas mais ricas são mais felizes que as mais pobres. A felicidade dentro de uma sociedade é um jogo de soma zero em que pra um ganhar, outro tem que perder. Que o sucesso (relativo) de uma pessoa é o fracasso (relativo). Que os bens de prestigio e conforto, trazem prestigio e conforto apenas se o outro não o tiver.

Combinando estas duas teses é possível perceber a validade da busca da felicidade como busca pela riqueza à nível individual. A nível coletivo (um pais, um sociedade) esta tese é falsa, tendo validade apenas quando o crescimento econômico tira pessoas da pobreza.

Uma coisa é certa, se considerarmos a busca da felicidade coletiva como principal principio ético, veremos que o combate a pobreza deve ser o grande objetivo dos governos e das instituições internacionais, e não o crescimento econômico pura e simplesmente.

Por: André Greve Pereira

Notas:

- Para se medir o numero de pessoas felizes foram feitas as mesmas pesquisas de opinião, com as mesmas perguntas em vários anos seguidos. Quando isto ocorre por 20, 30, 40 anos seguidos é possível analisar apenas as modificações estruturais da sociedade.

- Não se auferiu empiricamente se a redução das desigualdades de uma sociedade aumenta ou diminuem a felicidade geral, o que poderia levar em conclusão de que o socialismo seria a solução. O que fica claro é que retirar pessoas da pobreza aumenta a felicidade.

O crescimento compra felicidade nos países extremamente pobres, mas a partir do momento em que a nação atinge determinado nível de renda (...), acréscimos adicionais de renda não mais se traduzem em ganhos de bem-estar subjetivo;”

“Décadas de forte crescimento econômico nos Estados Unidos, Europa e Japão na segunda metade do século XX muito pouco ou nada alteraram as proporções de indivíduos felizes e infelizes na população dos respectivos paises”

Eduardo Giannetti em seu livro “Felicidade” Editora Schwarcz, 2002, paginas 62 a 69

sexta-feira, abril 22, 2005

Religião

Não existe religião progressista

No colégio tive um professor de história que era de esquerda e se recusava a dar esmola, pois este seria o papel do Estado. Nesta polemica toda sobre o papa não faltaram torcida e palpites no sentido da religião ocupar o papel inicialmente destinado ao estado e que ela se enquadrasse no politicamente correto.

Vimos com a eleição do papa um bando de gente falar que a igreja católica deveria ser voltada para o social, liberar o uso da camisinha, o casamento gay, o aborto, a ordenação de mulheres,etc... ser progressista (um elogio) ao invés de ortodoxa (um xingamento).

Não sou católico e acho que isso é problema deles e ponto final. Por sinal são poucos os católicos hoje em dia, poucos estão dispostos a seguir o que manda a religião católica, querem sim que a religião se relativize, que libere tudo que a pessoa já está fazendo e seja politicamente correta.

Ser cristão e ser católico são duas coisas distintas. Cristão é quem crê em Jesus Cristo, católico quem aceita a interpretação da igreja católica sobre os ensinamentos de Jesus. Portanto não existe “católico a seu modo” como Caludio Humes caracterizou o Lula. E boa parte dos que se consideram católicos são na verdade cristãos.

Católico não faz sexo sem fins reprodutivos e fora da instituição sagrada do casamento, quem faz este tipo de coisa deveria ou mudar seu comportamento ou deixar de ser católico, afinal a igreja católica não é uma democracia

Não existe espaço dentro do catolicismo para mudanças sérias nas doutrinas (como a teologia da libertação ou a teologia africana), quem tem uma interpretação diferente dos ensinamentos de Jesus deveria de fato fundar uma nova igreja, e muitos o fazem.

O papel da igreja católica não é o de abrir exceções e adaptar a doutrina a realidade ou aos costumes de certas regiões mas de servir de unificar os costumes das diferentes pessoas em diferentes regiões a sua interpretação dos ensinamentos de Jesus.

Moderno x Pós-moderno

Penso eu, que os tempos mudaram e a vida (urbana e pós-moderna) vai reduzir pouco a pouco a fé das pessoas nos pilares centrais das religiões modernas; cristianismo, islamismo e judaísmo.

Estas três religiões monoteístas difundem valores que levam as pessoas a terem ódio de si, ódio dos outros, a negar a carne, os desejos, as paixões, as pulsões, a vida.

Percebam que estes valores combinavam perfeitamente com as sociedades anteriores, moderna, feudal, etc... a vida urbana prega exatamente o contrario; elogia a carne, os desejos, as paixões, as pulsões, a vida.

Estamos vendo surgir uma moral e uma ética pós-cristã, pós-verdade revelada, pós-escrituras sagradas, pós-fogo do inferno.


Por: André Greve Pereira

domingo, março 20, 2005

A Onda Agora é A “Abolição”!

Se a abolição da escravidão pariu o desemprego, a abolição da fome vai parir o quê?

(Deja-vi. À segunda feira do dia 14 de março deste ano, um grito ecoou de uma das tribunas da ONU aos ouvidos desatentos dos brasileiros. Disse alguém: “vamos ‘abolir’ a fome, da mesma forma que fizemos com a escravidão!”. Desatento ou não, (brasileiro) eu acho mesmo é que a fome não deva ser “abolida”, no sentido denotado pelo autor do ilustrado comentário. Afinal, abolimos a escravidão e parimos o desemprego: creio que com a fome a hipocrisia irá se repetir. Mas vamos aos fatos...).

Pois bem. Foi em meio ao Fórum Social Mundial, realizado em Davos recentemente. Precisamente na edição do dia 14 de março foi publicada na “Folha” a entrevista de um conhecido sociólogo chamado José Bengala (membro da subcomissão para Promoção e Proteção dos Direitos Humanos e presidente do grupo de estudo de extrema pobreza e direitos humanos, ambos ligados à ONU) trazendo a sua retórica sobre o problema da fome, debatida na explanação que protagonizou no evento.

Segundo ele o eminente problema se resolveria com uma “abolição da fome” no mundo, deslegitimando a sua existência através de um conjunto de normas de caráter internacional que obrigassem os governos de diversos países (em sua maioria subdesenvolvidos) a combatê-la com mais dedicação.

Acontece que esta “ascensão de um sistema jurídico internacional” , como ele mesmo coloca, apontando ainda a globalização dos direitos humanos como um caminho saudável a ser traçado, relembra na alma deste humilde brasileiro a desconfiança de que, sob este pensamento, a fome vai permear a mesma “evolução” hipócrita alcançada com o fim da escravidão. Nesta oportunidade, fingimos que resolvemos o problema enquanto os senhores da miséria e da exploração riam com a conservação de sua agradável dominação exploradora sobre os novos alforriados: os trabalhadores.

Em verdade, a suposta solução dada pelo sociólogo só muda um pouco o foco da frente de luta contra a fome, sem tirar o poder de mudança das mãos de quem já não se mostra interessado em soluciona-la...

Para perceber este detalhe basta se perguntar em poder de quem se encontra a criação de normas jurídicas e os instrumentos para pô-las em funcionamento. De uma elite obviamente. Ela desenvolve ou viola normas conforme o seu interesse, pois detém poder sobre o mecanismo normativo, tratando seus preceitos e princípios a luz de seu livre arbítrio. Ao seu bel prazer a “burguesia, então, reservará a ilegalidade dos direitos: a possibilidade de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; fazer funcionar todo um imenso setor da circulação econômica por um jogo que se desenrola nas margens da legislação – margens previstas por seus silêncios , ou liberadas por uma tolerância de fato”, como dispunha Michel Foucault em “Vigiar e Punir”.

A elite não passa fome. E por mais que se sensibilize com a causa dos miseráveis, irá tolerar qualquer ilegalidade se, baseada em seu próprio interesse, não visionar retorno ou ganho em punir. Fortalecer uma campanha em seu meio para cantar novas normas de combate à fome pode até resultar num incremento de novos artigos e regimentos ao rol do sistema jurídico internacional, mas não haverá um esforço deste mecanismo em vias de combate à fome caso não se funde num interesse comum ao da burguesia citada por Foucault.

Ora, poderia restar ainda uma ação dos humanistas convictos, crentes mesmo na sensibilidade humana dessa elite para mover esforços a uma causa tão nobre. Uma grande idéia, se a mesma não detivesse interesses em conflito com o combate a fome.

Prova disso é que do lado de cá da América tem muita gente insatisfeita com a ONU: principalmente no que diz respeito ao FMI e ao Banco Mundial. As sugestões de caráter altamente impositivo destes órgãos sob governos sul-americanos tem obrigado os mesmos a apertar seus tímidos orçamentos dedicados a necessidades básicas – como o combate à fome – , para cobrir juros de dívidas históricas. Dívidas estas que tem como credores países que gastam rios de dinheiro com guerras a supostos “vilões” internacionais.

Mas se os direitos humanos já não são lá tão respeitados assim, buscar “globalizá-los”, com é a intenção de José Bengala, só diminuirá o seu alcance prático. Isso porque a globalização jamais foi algo além de um emaranhado de agentes internacionais debruçados sob um interesse incondicional por negócios de alto poder lucrativo ao redor do mundo, sendo os impactos provenientes de investimento e retirada de capital, questões pouco importantes – dinâmica nas comunicações e tecnologia a serviço da humanidade é só propaganda. Se fábricas fecham e milhares de trabalhadores são postos à rua para passar fome, realmente não importa aos verdadeiros beneficiários da globalização: se o lucro não compensa, lá o seu capital precioso não poderá continuar; (“deverá haver outro lugar onde a mão de obra é mais barata...”).

O posicionamento do sociólogo em tão importante fórum mundial para debates sobre temas relacionados à fome, embora pretendente a ser bem fundamentado e produtivo, denota um contexto que, cá no Brasil, nós conhecemos muito bem. “Abolir” fome – em menção à suposta vitória à supressão da escravidão – não compreende uma proposta responsável, efetiva. E mesmo que historicamente alcançássemos um momento que a propiciasse, repetindo o contexto do fim séc IX, um movimento de deslegitimarão jurídica da miséria – tal como foi deslegitimada a escravidão – com certeza o projeto mais completo e abrangente não passaria de um paliativo. E “abolir” a fome não vai passar de mais uma medida hipócrita.

Com todo respeito aos letrados da ONU: cá nós sabemos de verdade o que significa (ou não significa) uma abolição. E fim de papo.

Rodrigo Lessa

domingo, março 06, 2005

As elites (e a direita) são malvadas

É incrível, como o governo Lula que faz um governo muito parecido com seu antecessor (considerado neoliberal) pode ser considerado de esquerda pela ampla maioria da população.

José Genoino afirmou em artigo recente que o PT (e o governo, até porque eles se confundem) era um partido de esquerda pois estava ligado aos movimentos sociais. Devo dizer que concordo com ele, a maioria dos movimentos sociais são de esquerda e o partido que tem o seu apoio deve assim ser caracterizado.

Pois bem, ninguém se surpreenderia se o ministro da saúde do governo FHC criasse as farmácias populares para vender medicamentos que antes eram dados de graça, ou se seu ministro da educação fizesse uma reforma universitária que investisse dinheiro nas universidades privadas ao invés das públicas. Porque seriam políticas neoliberais próprias de um governo neoliberal como era considerado o de FHC.

Já as políticas públicas do governo Lula que são realmente novas, conseguem ser mais desastrosa que as da agenda antiga. O caso do antes famoso Fome Zero e do bolsa-escola que se transformaram no bolsa-família, é um exemplo. Criou-se um mega plano de acabar com a fome divulgado internacionalmente, que simplesmente não funcionou (espero que, o ex-fome zero e hoje bolsa-família, dessa vez vá pra frente) e se destruiu um programa que precisava ser ampliado, o Bolsa Escola.

A inoperância desta nova agenda é tanta que chegamos a um ponto em que: “o que funciona não é novo, e o que é novo não funciona.”

Sem uma agenda de esquerda, utilizando na verdade a agenda do seu antecessor (dito neoliberal) na maioria dos casos o governo segue combinando; a cooptação dos movimentos sociais com um discurso esquerdista que hostiliza a direita, seja nas suas intenções, seja na sua competência, seja em ambas as coisas.

Mas por que os ministros mais importantes (educação, saúde, trabalho, fazenda) e grande parte dos menos importantes são esquerdistas (definição de José Genoino) já que eles implementam uma agenda neoliberal? Que diferença faria chamar o Delfin Neto pra fazenda ou deixar o Armínio Fraga no BC, ou chamar o Zé Serra pra saúde.... que diferença faria meus amigos?

Bem, na pratica não faria nenhuma, contudo é impossível explicar que o governo Lula é de esquerda tendo estas figuras no ministério. Daí as resistências ao nome de Roseana Sarney e de outras pessoas já folclorizadas como de direita.

Apesar de não mais ser de esquerda na pratica (ao aplicar uma agenda neoliberal) o governo ainda é de esquerda nas aparências. Ministro da reforma agrária é um legitimo representante da esquerda petista e assim deve ser para tentar explicar ao MST como seu governo assentou menos gente que o governo FHC no mesmo período. Assim como a ministra do meio ambiente não pode ser culpada pelo aumento do desmatamento.

Qualquer ambientalista já teria rompido com este governo se o ministro do meio ambiente fosse um Sarney. Assim como o MST já teria rompido com o governo, se um dos seus não fosse o ministro da reforma agrária.

Mas só aparência só não basta tem que discursar, fazer bravatas como disse o Lula. Tem que falar mal do agronegócio, dos latifundiários, das multinacionais, das pessoas ricas, das elites e da direita de modo geral.

Se FHC voltar nenhum grande projeto será paralisado, mas o país voltará a ser comandado pela elite maldosa ao invés dos bondosos trabalhadores. No populismo o governador chantageia as elites com o povo, no Lulismo o povo é chantageado pelo domador das elites.

A eleição do Severino Cavalcante para a presidência da câmara, se explica pelo desprezo pelo qual os petistas tratam os não-petistas. Os tratam como cidadãos de segunda classe, que só pensam nos seus interesses e estão sempre dispostos a fazer maldades.

A política de tratar aliados como agregados, e agregados como quase-inimigos acompanha o PT (e a esquerda) durante toda a sua historia e é a principal responsável pelas suas derrotas e pela sua rejeição.


Falar mal da direita e das elites é condição básica e necessária para este governo ainda ser considerado de esquerda. Afinal, se as elites não fossem maldosas o que teria Lula para oferecer?


Por: André Greve Pereira

Para entra na lista de AsquintaS é so mandar um email para: asquintas@grupos.com.br

terça-feira, fevereiro 22, 2005

"-Você já foi à Bahia, nêga?"
"- Não!"
"-Então vá..."
(Dorival Caymmi)

Prezados baianos,

Tenho, durante os últimos dias, visitado um lugar muito e ao mesmo tempo pouco conhecido por nós: a Bahia. Passei pelas suas esquinas, fui aos seus becos, conversei com escravos e pescadores. Tive com prostitutas no cabaré e participei de muitas macumbas: em todas elas roguei por um amor que ainda não veio.
Porém, senti também a sua miséria. Me embriaguei na tuberculose e vi a malária passar-me ao lado, junto à morte vestida de cetim. Ouvi de seus poetas e intelectuais - ao pôr-do-sol boêmio da Castro Alves - os problemas que inibem esta terra tão linda e mágica, ao mesmo tempo em que tive pistas de como transformar tal lado assombroso da relidade baiana, num passado distante.
Comi acarajé, exagerei na moqueca e lambi os beiços na cachaça de um mendigo errante, cansado da vida e com um passado inebriante. Fugi da polícia, me escondi junto aos malandros e cantei samba. O melhor deles.
Ora pois, se o "bom filho sempre à casa retorna", vim de lá para trazê-los também a este mundo de magia, pitoresco em sua essência, à flor da pele para quem deseja senti-lo de verdade. “Os maus poetas, vindos de fora, a cantaram sem a entender, e cineastas a fotografaram sem a sentir, milionários e grã-finos a compararam sem a conhecer, e a todos ela resitiu e persiste para todos os capazes de compreende-la e ama-la. Persiste na sua grandeza, no seu mar e nas ruas, na renovação diária de sua beleza e de seu mistério”.
Chegou o momento de enxerga-la com amor, com sensibilidade, com ternura, com os olhos de baiano: de ir até ela, longe de nós onde ela está. Convido todos os amigos reunidos através deste (ainda) pequeno grupo que se formou para finalmente aceitar o seu convite, e ter com ela na cama que foi de muitos, de todos. E que nunca se cansa ou envelhece, pois seduz a vida de uma forma autêntica: pelo cheiro, pela barriga, pela vista, pelo ventre...pelo amor e pelo sofrimento. Na dor de sua miséria e na glória de seu povo, autor e vítima do que há de bom e ruim neste lugar chamado Bahia.

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Gente,

Em nome do AsquintaS estou convidando todo mundo para passar um fim de tarde ali no mercado modelo. Será um momento para se distrair, bater um papo e da forma mais espontânea possível falar do lugar em que vivemos. Não da Bahia como um Estado, emcurraldo pelo política e pelas características e fatos que conhecemos. Mas do que há de pitoresco em sua natureza...
Não vamos nos queixar de seus defeitos, em sua maioria fruto de uma modernização desmedida e sem grandes valores, mas tentar sentir ou perceber que ela ainda tem muito pra nos dar. Tentar captar o que Jorgem Amado quiz nos dizer quando afirmou que ela precisa ser entendida. O que há finalmente para entender?
Será na próxima quinta, todos reunidos em algum barzinho no mercado modelo ou mesmo próximo a ele, às 4:30 da tarde. Quem quiser ir é só manter contato comigo (Rodrigo/91945091), Feijão ou bigode. Procurem confirmar no tópico da comunidade do orkut pra gente organizar melhor o evento.
Quero a presença de todos, com certeza será muito divertido.
Forte abraço,

Rodrigo Lessa

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Os Terroristas São Malvados

Quem não conhece alguém que comemorou os atentados às torres gêmeas em Nova York em 11/09/2001? O flerte implícito do brasileiro médio e explicito dos esquerdistas com os terroristas é preocupante.

Se as atitudes do EUA, especialmente a guerra do Iraque, são consideradas atitudes imperialistas, sendo motivados por interesses econômicos. Quem é contra os EUA é anti-imperialista certo? Não, essa simplificação engana muita gente. Fica a impressão de que os terroristas e a esquerda tem um objetivo comum, o que não é verdade.

A nível internacional se tem a impressão que os terroristas islâmicos são a vanguarda do movimento anti-imperialista mundial. Pura bobagem, pois apesar deles praticarem ações midíaticas (ao contrário das de mobilização da esquerda), sua luta não é contra os EUA ou seu imperialismo, mas contra os infiéis e também (na maioria das vezes) contra a separação da religião do estado.

Isso ficou claro nas eleições iraquianas (que a mídia brazuca tanto torceu pra que desse errado mas não deu) quando entre um atentado e outro, os grupos terroristas divulgaram suas justificativas para boicotar as eleições e “explodir” iraquianos nas filas de votação. Os fundamentalistas justificavam que um estado laico era contrário aos mandamentos religiosos, entre as leis de deus e o desejo da população, eles ficam com as leis de deus escritas no alcorão.

Boicote, portanto, motivado por razões religiosas, estas mesmas razões que fizeram o Hamas não participar das eleições palestinas. Estes grupos lutam por um estado religioso; como aconteceu no Afeganistão do Talebans e acontece ainda hoje no Irã.

Já o PSTU, que escolhi como representante da esquerda brasileira, divulgou notas em seu site comentando sua posição de apoio ao boicote as eleições iraquianas.

A partir da adesão da ONU e dos governos imperialistas europeus à tática “eleitoral” de Bush, esse grupos não se colocam contra a eleição do governo fantoche

As tropas de Bush impuseram um verdadeiro estado de sítio no país para viabilizar as farsas das eleições, na tentativa de legitimar a ocupação.”

Fica estranho os comunistas brasileiros tanto se identificarem com religiosos fervorosos. O ditado “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” é levado a sério e suas motivações religiosas são omitidas em nome do estrago que podem causar aos EUA.

Quando o Brasil, assim como tantos outros paises, instituiu a republica, e com ela a separação da igreja do estado, houveram diversas reações monarquistas por parte de católicos fervorosos que ainda acreditavam no direito divino dos reis.

Antonio Conselheiro criou Canudos no sentido de pregar as leis de deus contra as leis do cão (da republica) e pedia o retorno do rei português São Sebastião que seria o homem designado por deus para governar o Brasil.

Felizmente, desde a revolução francesa a teoria do direito divino dos reis vem perdendo força entre os cristãos, mas vale lembrar que esta idéia um dia foi dominante, foi uma aliança dos monarcas europeus que derrotou Napoleão e transformou a França numa monarquia “divina” novamente.

As forças progressistas conseguiram acabar com o estado religioso e o transformaram num estado laico com liberdade de culto e tolerância religiosa. Agora este flerte da esquerda com grupos religiosos retrógrados é muito complicado, mesmo quando a intenção é sacanear os EUA.

Entre os islâmicos uma parcela razoável deles acredita na união entre estado e religião (islâmica é claro) e esta ideologia retrograda é que guia a maioria (e não a totalidade) dos grupos terroristas como: Hamas, Al-Qaeda, Jihad Islâmica, Hezbollah, entre outros.

Se engana quem pensa que os atentados do WTC foram motivados por razões econômicas, ou que estes grupos combatem o imperialismo dos EUA. A luta destes grupos (com o apoio da esquerda brasileira) é contra os infiéis, o estado laico e as instituições democráticas.

Eles não são a vanguarda da esquerda mundial, são retrógrados “monarquistas”. E suas atitudes não devem ser comemoradas e sim claramente repudiadas.

André L. Greve Pereira

Obs 1: Desculpem a repetição do tema, não pretendo mais falar do Bush e cia

Obs 2: O que foi dito sobre as eleições iraquianas vale para as eleições palestinas.

Obs 3: Um dos partidos que participou das eleições iraquianas foi o PCI, Partido Comunista Iraquiano.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Nós não Entendemos o Recado

A reeleição de Bush nos EUA deixou todos perplexos. Todos sabíamos que ele era burro, preconceituoso e tinha mentido um bocado para entrar em guerra com Iraque pelo petróleo, que a sua reeleição se torna algo inexplicável.

Mas não é que ele se reelegeu e seu adversário, Kerry, ainda afirmava que ia manter a ocupação no Iraque. Nesta eleição os candidatos que receberam 99% dos votos falavam de uma guerra ao terror, tentavam convencer a população dos melhores meios de evitar novos ataques terroristas aos EUA como os do WTC. Ambos com posições bastante parecidas mas sempre tentando convencer a população sobre de que forma ela estaria mais segura.

Assim como criar empregos e a economia são constantemente os principais temas de debates dos candidatos à presidência no Brasil, nos EUA o que a população queria saber é como se proteger desses terroristas que os odiavam e queriam matá-los.

Para este problema o Bush apresentou uma solução mais convincente e por isto conseguiu se reeleger.

Este recado das urnas ainda não foi entendido pelo mundo. A perplexidade causada pela falta de uma explicação racional para a vitória republicana foi tanta que , no dia seguinte à eleição, um tablóide Londrino estampou na primeira pagina “como podem 59,054,087 de americanos ser tão BURROS”.

Agora meses depois da eleição eu esperava que conseguissem entender o que estava acontecendo por lá. Mas não, a velha explicação para as intervenções estadunidenses ainda é o imperialismo econômico. A única aceita, não só pela esquerda, mas pela opinião pública média brasileira e mundial.

As teorias conspiratórias quanto à participação dos EUA no Tsunami são um exemplo perfeito. As explicações foram as mais variadas uma delas afirmava que o Tsunami poderia ter sido causado por um teste de bomba nuclear submarina (!!!) e como prova disso teríamos uma base militar dos EUA perto da região que foi pouco afetada pelo Tsunami.

Parece piada, mas tem que gente fala sério quando conta essas teorias.

Já a opinião pública média se apresenta de uma forma mais light, mas também não entendeu a mensagem, vou utilizar uma matéria do jornal A TARDE de sábado (15/01/05) no seu caderno cultural como representativa.

A matéria de capa do caderno é a seguinte : “Reprise da Farsa”, um texto de 3 paginas sobre Mark Twain e seu antiimperialismo com o seguinte sub-titulo:

“corajoso opositor das intervenções externas dos EUA e dos impérios europeus entre o final do século XIX e o começo do século XX, o autor de As aventuras de Tom Sawyer ganha impressionante atualidade sob o prisma da invasão do Iraque”

Vocês já conseguem imaginar o que está escrito nas 3 paginas do caderno, não é. As idéias antiimperialistas “ganham impressionante atualidade sob o prisma da invasão do Iraque”.

È a mesma explicação da guerra por petróleo de antes da reeleição, ninguém entendeu o recado das urnas. Ninguém entendeu a exploração política de um medo coletivo em oposição aos seus supostos ganhos econômicos. Não são motivos econômicos são motivos populistas.

Porque se a motivação era de fato econômica, os republicanos não só enganaram a mídia e a população direitinho, mas ainda convenceram os democratas a não denunciar a farsa. Será que só os Brasileiros conseguem enxergar o obvio?

Então voltamos a aquela grande teoria da conspiração da mídia (nos EUA é claro) que inventou a guerra ao terror para esconder a guerra por petróleo. Para os que só assistem Globo é até fácil entender, mas para um povo onde 83% da população tem televisão a cabo e diversos canais de noticias a explicação fica mais difícil, se consideramos que eles tem uma educação muito melhor que a dos brazucas, ou que mais da metade da metade da população tem fácil acesso a internet enquanto aqui a maioria da população ainda depende da grande mídia. A explicação fica ainda mais difícil

No texto de ATARDE o autor Elieser César cita uma passagem de Mark Twain (escrita em 1900) que eu transcrevo aqui:

“Dizemos que existe opinião pública nos Estados Unidos, mas não existe. Nosso pensamento são todos de segunda mão. Quantas pessoas hoje são capazes de decidir se é melhor para o país comércio livre ou tarifas alfandegárias? As únicas opiniões que a maioria de nós tem sobre esse tema são de alguns homens que querem influenciar a nossa forma de pensar,...”

A passagem é utilizada para mostrar que o pensamento de Mark Twain continua atual, que os EUA de 105 anos atrás ainda é o mesmo hoje(!!). O ódio a Bush e a certeza que o motivo foi o petróleo é tanta, que qualquer argumento se torna razoável.

Ao contrário do que justifica ATARDE, nestes 105 anos os EUA mudaram muito e pra melhor, não há mais espaço para as intervenções imperialistas do jeito que ocorriam, não há mais como manipular a opinião pública como era feita nesta época (não existia TV e o radio era luxo). A época do imperialismo econômico feito a partir de guerras acabou, pois hoje é preciso primeiro convencer a população que é muito mais informada do que era antes.

Um acordo na base de Alcântara com os EUA não pode, mas um igualzinho com a Ucrânia pode. ALCA com os EUA não pode, mas livre comercio com a União Européia pode. O fim da necessidade de saber inglês para virar diplomata é mais um exemplo entre vários.

O antiamericanismo como religião laica brasileira já é uma realidade que poucos tentam negar, portanto lá vou eu para a vala comum dos “Lacaios do Imperialismo Ianque”.

Mas, das duas uma ou os estadunidense estão sendo enganados pela mídia deles ou nós estamos sendo pela nossa.


André Greve Pereira

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Primeira Postagem

O primeiro passo foi dado.. sintam-se a vontade para expor suas ideias, textos, comentarios etc.