quarta-feira, junho 07, 2006

Futebol

Eu já falei que investir em um novo clube de futebol em Salvador seria uma ótima idéia.

Outra evidência disso é que pela primeira vez em quase 40 anos um time do interior ganha o campeonato baiano, neste ano foi o Colo-Colo de Ilhéus campeão dos dois turnos.

Outra evidência de que os torcedores baianos gastam dinheiro com clubes é a nova campanha do E.C.Bahia de arrecadar dinheiro com os torcedores.

Notícia Extra

Foi furo de Reportagem sim, mesmo a Primeira Leitura só deu a notícia duas horas depois.

Apagão na sucessão 3 — Com a bagunça institucional que está em vigência no Legislativo e no Executivo, Judiciário expõe fúria legiferante; mais do que julgar, faz as leis... 1h55

Apagão na sucessão 1 – Por 6 votos a 1, TSE decide que a aliança federal tem de ser totalmente repetida nos Estados, o que muda a interpretação vigente sobre a verticalização 1h59

Notícias Em Tempo Real

O Noblat escreveu a 5 minutos atrás:

07/06/2006 ¦ 00:26
Como o TSE decidiu
Do site do TSE:

"O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou nesta terça-feira (06) a aplicação da regra da verticalização para as eleições de outubro próximo. A decisão foi proferida no julgamento da Consulta (CTA) 1225 formulada pelo diretório nacional do Partido Liberal (PL)."

A Corte explicitou que o partido que optar por concorrer à presidência da República com candidato próprio ou em coligação com outra legenda terá de ser fiel nos Estados a essa aliança, ou disputar sozinho.


Vamos ver se esse é mais um furo de reportagem do blogs.

domingo, junho 04, 2006

Navalha Na Carne

Domingo passado assisti a uma peça bem bacana na Escola de Belas Artes da UFBA, construída sob um texto que data da década de 60, "Navalha Na Carne", do escritor Plínio Marcos, e encenada por estudantes de teatro da UFBA.
A idéia se perfaz sob a relação de três indivíduos em condição degradável de pobreza: uma prostituta, seu cafetão e amante e um homossexual. No quarto de pensão onde a estória acontece, os três travam diálogos fortes, regados de sarcasmo, agressividade e despudor, suscitando brigas e insultos gratuitos que parecem por à flor da pele de quem assiste toda a indignação de suas almas, afundadas no desgosto de uma vida miserável é difícil.
Mas a grande qualidade da peça terminou sendo a interpretação do elenco. Como foi fato a falta de recursos para investir em cenário e outros elementos da peça, a produção se valeu desta mesma condição para improvisar com eficiência no cenário, e principalmente depositar nos atores - nos seus próprios corpos em especial - a vivacidade da representação. A performance dos atores em cena é permeada pela mesma agressividade viva e intensa do conteúdo: os atores não economizam nos puxões, nos empurrões, nos tapas e atitudes que caracterizam a revolta de seus personagens; o corpo é aqui, a parte mais importante do cenário. Tudo isso na metade de uma sala de aula adaptada, onde o público se coloca sentado muito proximamente (praticamente dentro) ao “palco”. A estória não perde portanto (ainda que pese a dificuldade encontrada na produção), a capacidade de exprimir a densidade e a explosão daquela relação de personagens tão naturalmente carregados pelo quadro miserável e árduo de suas experiências.
Este tipo de iniciativa já se transformou como bem sabemos, em estética cinematográfica, no realismo italiano, com Roberto Rosselini, e no nosso conhecido cinema novo brasileiro, liderado pelo saudoso e polêmico Glauber Rocha, sob influência do próprio realismo. Transformar a ausência de recursos de uma forma de expressão artística (o cinema) - que depende de financiamento mais do que qualquer outra - em motivo para recriá-la de forma incrivelmente criativa, corresponde à essência da coragem destes cineastas.
A produção e o elenco de Navalha Na Carne, embora não tenham desenvolvido um tipo de estética teatral baiana – nem é talvez essa a sua intenção -, foram eficientes na adaptação do texto com a realidade do teatro de que dispõem. Palmas à coragem e à paixão viva deste teatro.

Por Rodrigo Lessa

sexta-feira, junho 02, 2006

Minha Birra com o PT

Lendo a entrevista do Contardo Calligaris na Primeira Leitura de maio me identifiquei com o trecho;

CC- Um dia fui ver meu pai e o apostrofei dizendo: "não entendo como é que você pode ser antifacista sem ser comunista". Porque claro pra mim o facismo como ensinava a Internacional, nada mais era do que uma expressão do mal do capitalismo. Então meu pai ficou pensando, pensando... E ele me disse algo que à época me indignou e que hoje acho completamente interressante. Ele me disse "No fundo, no fundo, eu era antifacista porque achava os facistas tão vulgares!".
PL- A Resposta é Maravilhosa"
CC- Não é uma resposta perfeita? Acho que a gente pode ser militante, passar o inverno de 1944 nas montanhas, pegar em armas e combater a vulgaridade. É uma causa perfeitamente defensável.
PL- A busca da elegância pode dar uma bela guerra...
CC- Sim. Existem formas de vulgaridade contras as quais é preciso lutar porque são expressões de uma ética.

Clipping

- Minha Namorada Jacy criou um blog, sugestão minha é claro. Afinal ela escreve tudo que acontece com ela num diário, bem que poderia escrever essas coisas num blog, né.

- O Joselmar do Olhar Econômico voltou a bloggar.

- O Olavo de Carvalho e suas frases:
"A única ética imperante no jornalismo nacional consiste em mentir a favor do lado certo. A chave do enigma reside portanto em saber o que é que entendem por "lado certo".

- Eu vivo dizendo a boxel que sociólogo não gosta de internet, comparem os sites das associações nacionais de pós-graduaçãos em sociologia e em economia e vocês vão ver.
Por sinal, o Encontro Nacional de Economia deste ano será em Salvador, viva!

- Digam se não dá medo o texto intrdutório do blog A Mão Invisível;
"A Mão Invisível é a face visível dessa tenebrosa urdidura global das direitas coligadas pela defesa do imperialismo capitalista, dissimulada numa verve bem-pensante e empenhada em descredibilizar o esforço planetário das forças progressistas."

quinta-feira, junho 01, 2006

O Inglês é o de Menos...

Eu sou preguiçoso e nunca gostei de ler artigos em inglês, mas artigos cheios de matemática não é só preguiça não, eu tenho tido é muita dificuldade.

ROGOFF, Kenneth. Equilibrium Political Budget Cycles. The American Economic Review, Vol.80, No. 1 (Mar., 1990) pp 21-36.

FERREIRA, Ivan Fecury Sydrião. BUGARIN, Maurício Soares. Ciclo Político-Orçamentário no Federalismo Fiscal Brasileiro: O Papel das Transferências Voluntárias no Resultado das Eleições Municipais. XXVI Encontro Brasileiro de Econometria


Não seria o caso de comprar um dicionário da linguagem matemática? André.

AsquintaS em Inglês

O nome AsquintaS (tudo junto e com duas maiúsculas) foi utilizado inicialmente pra designar as reuniões que um grupo de amigos (eu, boxel, pareja e bigode) tínhamos as quintas-feiras aqui em casa no início de 2005.
Criamos até um blog com esse nome para postarmos os textos que seriam discutidos nas próximas reuniões, mais ou menos como Guillermo faz nas discussões que ele tem no Orkut.
Com o tempo as reuniões que eram nas quintas, foram pro domingo, depois ficaram sem dia definido, até que não aconteceram mais, restando apenas o blog.

Por que estou escrevendo isso?
Porque terça a noite, conversando com meu pai e meu irmão decidimos que ao invés de freqüentarmos um curso de inglês seria melhor nos reunirmos regularmente em um dia e horário definido no qual conversaríamos em inglês sobre assuntos que dois dos participantes trariam e apresentariam.
Pois bem, hoje é quinta feira, no exato dia e hora combinados e estou aqui a escrever este post enquanto meu pai foi no cinema e meu irmão saiu com algum amigo...
Mas não se preocupem que eu não vou desistir do projeto não, só percebo uma certa ciclicidade nisto tudo, já participei de tantos projetos voluntários que inicialmente são espontâneos e depois os participantes perdem a animação que acho tudo muito normal, só fica estranho isso acontecer logo na reunião de estréia. André.

Interpretações Em Sociologia - 2a Parte

(Segue o restante do texto. Leitor, vide esclarecimentos sobre este texto em "Interpretações Em Sociologia 1a Parte").

II. Em A Representação do Eu Na Vida Cotidiana, E. Gooffman elabora um manual sobre alguns aspectos da representação dos indivíduos quando em relação com outrem. A fachada existe para ele como um desempenho do indivíduo na forma de equipamento expressivo direcionado a definir a situação para os observadores da representação (Goffman, 1985). A configuração da fachada leva em conta um “cenário” – espaço físico propriamente dito - e o que poderia chamar-se de “fachada pessoal”, reunido aqui os itens expressivos de caráter íntimo: vestuário, atitude, padrões de linguagem, etc.
Esta fachada pessoal, ainda em Goffman, pode ser dividida em “aparência e maneira, de acordo com a função exercida pela informação que estes estímulos transmitem. Pode-se chamar de “aparência aqueles estímulos que funcionam para nos revelar o status social do ator (...) e maneira os estímulos que funcionam no momento para nos informar sobre o papel de interação que o ator espera desempenhar na situação que se aproxima”.
O primeiro contato dos forasteiros com Heráclito apresenta sem dúvida uma composição bem particular deste tipo de representação. Temos de início um cenário - que corresponde ao humilde abrigo de Heráclito - e uma fachada pessoal - o que poderia se definir como o seu comportamento - em evidente estado de desarticulação lógica ou habitual, por assim dizer, com a sua condição de sábio. Embora o papel a ser cumprido por ele ali seja realmente o de um sábio, reafirmado pelo diálogo que irá travar com os forasteiros (a não ser que ele se negue mesmo a faze-lo), o cenário de representação em que ele atua, tal qual a maneira e a aparência que ele transmite, não estão condizentes com a expectativa dos forasteiros, que de alguma forma reproduz a perspectiva comum. Esta expectativa estava direcionada a “traços do excepcional e do raro e por isso do emocionante”, o que de fato não foi sugerido neste “fato comum e sem encanto, de alguém estar com frio perto do forno”. Daí o estranhamento.
E tudo por um motivo bem simples: “além da esperada compatibilidade entre aparência e maneira, esperamos naturalmente certa coerência entre ambiente [cenário], aparência e maneira”. A percepção do comportamento de um sábio, e portanto do significado a que o conceito remete, é visivelmente diferente entre o filósofo e os forasteiros; logo, incompatível aos olhos destes. Por qualquer motivo a elaboração mental que cada agente faz de um sábio não tem uma proximidade muito clara: para Heráclito não há problema em parecer simples, mas aos curiosos isso é um motivo de desconfiança sobre a sua condição de sábio.
Entretanto, de forma alguma poderíamos concluir como sendo precipitada a conduta dos forasteiros: tomar a aparência pelo conteúdo é algo altamente comum e em alguma medida intrínseco as relações humanas, pelo simples fato de ser dificílimo encontrar nas ações dos indivíduos, dicas do que eles são na realidade. “Em resumo, como a realidade em que o indivíduo está interessado não é percebida no momento, em seu lugar terá de confiar nas aparências. (...) É aqui onde os atos comunicativos se traduzem em atos morais. As impressões que os outros dão tendem a ser tratadas como reivindicações e promessas que implicitamente fizeram e estas tendem a adquirir um caráter moral” (Ibdem). É imprescindível, pois, que depositemos nas relações um mínimo de segurança, ainda que superficial, sobre como nosso interlocutor irá responder aos nossos estímulos.
(Vejam como os padrões e valores de que falamos só existem através da interação, e por isso se mostram passíveis a – constantes – re-interpretações de seu significado ou necessidade, por assim dizer).
III. Porém, de algum modo, Heráclito parece ter tido consciência disso. A reação dos curiosos lhe pareceu um tanto previsível pela reação que lhe acometeu, em “recorrer” aos deuses para garantir que entrassem e satisfizessem a sua curiosidade. E para isso também existe um motivo bem particular. “É sabido que, desde Heráclito até Isócrates, soa um único brado:‘Todas as leis humanas são alimentadas pela lei divina’” (Touchard, 1970).
É bastante sólida em sociologia a idéia de que os costumes que envolvem a religião ou algum tipo de divindade particular remetem às raízes morais mais profundas em que se fundamentam as sociedades. Os mitos e crenças possibilitam uma força cultural eficiente para manter grupos sociais moralmente integrados e portanto comprometidos com a unidade da sociedade. “Pelo simples fato de terem por função aparente estreitar os vínculos que unem o fiel ao seu deus, elas ao mesmo tempo estreitam realmente os vínculos que unem o indivíduo à sociedade da qual é membro, já que o deus não é senão a expressão figurada da sociedade” (Durkheim, 1996). Com os gregos não parece ter sido diferente. Destarte, podemos sugerir o modo com Heráclito se valeu deste recurso tentar para manter próximos os curiosos que pretendiam se afastar.
G. H. Mead, um dos responsáveis pelos fundamentos do interacionismo simbólico, destacava a idéia de que o indivíduo realiza a sua condição de pessoa através da sociedade, quando esta dispõe, pela comunicação, a substância cultural de que ele deve se valer para tomar consciência do mundo e de si mesmo. É só através dela que o sujeito pode aparecer como pessoa no mundo externo, reunindo, de todas as suas experiências de convivência, a estrutura social de sua personalidade e colocando-se na condição de sujeito e objeto do próprio pensamento (Mead, 1953).
Este processo permite ao sujeito não só tomar uma consciência de si mesmo, quando sua própria pessoa passa a ser um objeto de seu pensamento, como também tratar as outras pessoas como um objeto do pensamento, e com base na bagagem cultural experimental de sua própria vida medir os tipos de interferência que pode suscitar nas outras pessoas. O sujeito “adopta el lenguaje como um médio para obtener su personalidad, y luego, a través de un processo de adopción de los distintos papeles que todos los demás proporcionam, consiegue alcanzar la actitud de los miembros de la comunidad” (Ibdem).
Para alcançar esta experiência anterior Heráclito se vale do que Mead denomina “el mí”, ou “mim”: a pauta de relações que um sujeito apreende em sua vivência para se manter em sociedade, e ser reconhecido por ela. Logo que ele capta este rol de atitudes torna-se por sua vez capaz de responder aos estímulos dos outros indivíduos em sociedade, na forma com que tais estímulos acionam nele as possibilidades de resposta, o que corresponde portanto ao “yo”, ou o “eu”. Ora, se as experiências variam de pessoa pra pessoa, e portanto a pauta de relações é em alguma medida imprevisível, podemos entender como Heráclito foi capaz de suscitar tal estímulo encorajador nos curiosos. Tendo a possibilidade de tomar os forasteiros como objeto do pensamento, e por isso prever a qualidade de uma sua interferência, se valeu da própria pauta de relações para responder de modo criativo, lógico e principalmente moral, à reação dos visitantes. E no caso particular da Grécia, naquele período, nada mais moralmente universal e conciso do que demonstrar proximidade com as leis e predisposições divinas. Heráclito pretende com isso se fazer próximo do divino, e através dele próximo do que é mais elementar na cultura moral de seus semelhantes. Isso, é claro, se os visitantes participam de um universo cultural próximo.
Conclusão. O que o eminente filósofo pretende evitar com sua estratégia é na verdade uma ruptura. A surpresa dos curiosos é causada por uma quebra, mudança ou re-significação na noção moralmente disseminada do “sábio”: alguém com uma fachada que faça jus à sua existência, ao papel que corresponde a sua condição. Heráclito poderá provar com esta primeira lição como estas representações, embora tidas como verdadeiras, são contingentes, culturalmente elaboradas. Uma consciência do funcionamento da sociedade nos permitiria exercitar melhor a capacidade de inovar e transformar hábitos, atos morais de representação, ainda que estes pareçam intrínsecos a um conjunto de papéis que cumprimos socialmente. Humildade não quer dizer indigência, traços do excepcional e do raro não querem dizer sabedoria, tal como culto ao divino. Mas de uma forma ou de outra, estas representações terminam por ser, em alguma medida, eficientes; basta saber lidar com elas.

BIBLIOGRAFIA:

· GOFFMAN, Erving. A representação do Eu Na Vida Cotidiana; tradução de Maria Célia Santos Raposo. Petrópolis, Vozes, 1985.
· BLUMMER, Hebert. Simbolic Interacionism; perspective and method. New Jersey, Inc, 1969.
· GUIDDENS, Anthony e TURNER, Jonathan. Teoria Social Hoje; tradução de Gilson César Cardoso de Souza / JOAS, Hans. Interacionismo Simbólico. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
· MEAD, George H. . Espiritu, Persona Y Sociedad; Desde el punto de vista del conductismo social. Buenos Aires: Editorial Paidos, 1953.
· TOUCHARD, Jean. História das Ideias Políticas; tradução e notas de Mário Braga. Lisboa: Europa-América, Ltda, 1970.
· DURKHEIM, Émile. As Formas Elementares da Vida Religiosa: o sistema totêmico na Austrália; tradução Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

terça-feira, maio 30, 2006

Interpretações Em Sociologia - 1a Parte

(Segue a primeira parte do trabalho que fiz sobre uma citação isolada do livro Sobre O Humanismo, de Martin Heidegger. O trecho já está postado neste blog sob o título de "Interpretações Em Sociologia". A bibliografia virá no final).

Interpretação Sobre Trecho do Livro Sobre O Humanismo, de Martin Heidegger

Por Rodrigo Lessa

Introdução. Uma estratégia. E que bela estratégia. A reação de Heráclito frente ao grupo de visitantes em afirmar verbalmente a presença dos deuses, é de fato uma forma de garantir um contato que terminou por ser comprometido pela descrença dos forasteiros quanto ao resultado de uma possível experiência com o filósofo. Mas é justamente na sua primeira ação frente à reação dos visitantes que residirá a primeira lição desta rica experiência. Veremos o porque disso e principalmente o provável motivo da primeira reação dos forasteiros, neste texto, através de uma doutrina sociológica que desenvolve uma compreensão bastante precisa das ações humanas quando em interação com outros indivíduos: o Interacionismo Simbólico.
I. Esta corrente teórica em sociologia apresenta na realidade uma raiz que nos remete às experiências metodológicas relacionadas à Escola de Chicago, entre 1915 e 1940 nos Estados Unidos, onde e quando, na filosofia, o pragmatismo propunha um novo ângulo sobre a compreensão das ações sociais. Era fundamental ao pragmatismo que a conduta humana fosse estudada não como um ato determinado fora do contexto da ação em que é exercido, como uma determinação de um fim apenas por via da consciência per se do sujeito, onde por fim os significados corresponderiam a meros laços entre fatos sociais e fins práticos. Mas, por outro lado, como um resultado de diversas ponderações sobre as resistências que uma conduta encontra invariavelmente na relação com outros indivíduos (Joas, 1999). Seria menos interessante observar “estruturas dominantes” de constrangimento e determinação da ação anteriores ao contexto da ação do que buscar, no desenrolar deste contexto, os elementos contidos nas relações que poderiam ser definitivos na tomada de decisão por parte do agente. Logo, a minuciosa descrição do relato de Aristóteles através de Heidegger nos fornece prato cheio para uma análise sob este ângulo.
Não obstante, a grande inovação do interacionismo simbólico será uma importância suplementar concedida ao significado que os indivíduos atribuem aos objetos, tal como a sua fonte, em cada caso particular. A natureza do interacionismo simbólico se fundará assim em três premissas básicas: a) os seres humanos agem relativamente às coisas através dos significados que tais coisas provocam neles, b) estes significados derivam de relações sociais anteriores com outros companheiros e por fim c) são manejados e modificados através de um processo interpretativo utilizado pelas pessoas ao lidar com as coisas com que se defrontam na vida cotidiana (Blumer, 1969).
Padrões ou valores morais de largo alcance na definição das ações humanas só existirão assim, na dinâmica da re-significação constante dos objetos do mundo. O que remete os agentes a uma eterna re-interpretação ou re-adaptação das vivências anteriores destas informações, e portanto dos significados atribuídos à infinidade destes objetos (ou coisas) envolvidos na ação. E é justamente a variedade de significados e as suas fontes sociais que buscaremos em nosso caso prático. Pois, de modo algum, eles são estáticos.
Como as tais vivências são também fruto de interpretações de interpretações, o resultado da observação por parte do indivíduo destas experiências anteriores, advindas da comunicação que ele desenvolve com outros indivíduos, é uma maleabilidade até então mal observada das supostas “estruturas dominantes”, que na realidade passam a costumes mais ou menos arraigados socialmente. Preceitos mais ou menos reafirmados em meio à dinâmica das relações sociais.
Todo este conhecimento e rol de critérios fornecidos pelo interacionismo simbólico nos permitirão não só indagar algo sobre a bagagem experimental dos forasteiros - buscando ali o modo como valores adquiridos serão definidos no contexto do contato com Heráclito - como também uma justificação para as demais reações suscitadas pelo estranhamento primeiro da relação, como é o caso da própria menção aos deuses realizada pelo filósofo (a estratégia, como frisei no início). Nos remeteremos a uma investigação da forma com que as experiências de cada agente – tome-se aí Heráclito e “forasteiros”, generalizando os últimos – demonstram-se existindo no contexto da ação, ou melhor dizendo, da relação social, admitindo a sua re-significação e portanto a sua maleabilidade frente às reações recíprocas. Afinal, este exemplo traz uma situação eminente, numa relação parcialmente comprometida entre indivíduos de um universo cultural aparentemente próximo.
(...)

segunda-feira, maio 29, 2006

Political Budget Cycles nos Municípios Baianos

Este vai ser o tema da minha monografia. As referências por enquanto estão sendo o pessoal do Ibmec-MG e o professor Maurício Bugarin's da UNB.

Clipping

- Pra quem não conhece Guillermo é meu amigos e colega de faculdade. Nós conseguimos ter opiniões opostas sobre quase tudo e mesmo assim concordar em muita, muita coisa. Estranho né?

- Este blog quebrou se próprios recordes de visitas diárias, foram 50 no dia 25/05. Apesar de ainda ser muito pouco, comparado com a maioria dos Blogs.

- Jaciara, já começou a receber spans no seu email: indiajacy@yahoo.com.br

- Cisco Costa não estuda economia da UFRGS, mas Letras. Bem que eu desconfiei, este post estava bem escrito demais.

- É tão legal ler os trabalhos acadêmicos de pessoas que a gente já conhece (neste caso o pessoal do Gustibus) fico pensando se não foi por isso que mudei o tema da minha monografia.

- “Câmbio flutuante no Brasil não flutua. Voa ou afunda.” Antonio Delfim Netto (PMDB-SP).

domingo, maio 28, 2006

Forbes e a "Fortuna de Fidel"

Quem já ouviu que a fortuna de fidel é de 900 milhões de dólares?

Será que é verdade? Leia este texto e exercite o seu senso-crítico. Para mim é verdade sim, no entanto ela não está nos mesmos ativos daquele que possui uma fortuna muitas vezes maior que a do líder revolucionário cubano: a fortuna de Bush está em dólares, a de Fidel pode estar em outros ativos incomensuráveis como nos conta Emir Sader neste curto e aprazível texto: (http://www.voltairenet.org/article139360.html)...

Desde então, os proprietários da revista Forbes estiveram por trás dos planos contra essa nação caribeña, seu povo e seus dirigentes. Insistindo que Fidel Castro Ruz se aproveita pessoalmente das poucas riquezas materiais cubanas, busca, quiçá, semear dúvidas em seu povo

“Uma vez meu pai gastou cinco milhões de dólares para seu próprio aniversário, e, Tánger”, se vangloriava um dia Steve Forbes, filho de Malcom e multimilionário dono da revista Forbes ao perguntar por que não gastar alguns milhões mais para tentar ser Presidente dos Estados Unidos. O que não conseguiu.

Aos novos governantes, segundo o ambicioso plano estruturado sem levar em conta ninguém no interior da Ilha, não deveria levar mais de dois anos para vender todos os ativos públicos. A privatização permitiria às empresas estrangeiras apossar-se de 80% das ações, de qualquer setor. Era uma espécie de liquidação com caráter de oferta.”

A fortuna de Fidel

Forbes e seus “interesses em CUBA”.

Hernando Calvo Ospina

Rebelión

Que grande veículo de informação no mundo pode ser chamado de independente e objetivo hoje em dia? É possível ser quando seus principais acionistas estão envolvidos, dia-a-dia, com as grandes decisões mundiais, tanto políticas quanto econômicas? A sabedoria popular sempre disse: quem paga a orquestra, escolhe a música.

A revista estadounidense Forbes, que ano a ano publica a lista dos homens e mulheres mais ricos do mundo passou a incluir o presidente de Cuba, Fidel Castro Ruz. No último número sitúa-o como sétimo.

Mas será que Forbes pode ser objetiva nessa informação? Existem dois motivos que fazem duvidar disso. Um é que seus métodos para tal conclusão são “mais arte que ciência”, segundo reconheceu a própria publicação. Sempre ensinaram que os números e as contas são ciências exatas.

Mas o segundo motivo é muito mais forte: pelo menos desde 1991 os principias acionistas de Forbes e a família Forbes, estão vinculados aos planos de desestabilização da Revolução cubana. Isso pode ser lido no Capítulo 14, como título “A transição e a reconstrução de Cuba”, do livro “Rum Bacardi. A Guerra Oculta”.(2)

“No final de 1991 tudo estava preparado para a queda do regime cubano. Sem o apoio dos antigos sócios comerciais do antigo bloco socialista europeu nada o poderia salvar”.
”Os magnatas, cujas propriedades foram nacionalizadas, começaram a preparar as malas para irem a Cuba assim que chegasse a esperada notícia. Os diretores e acionistas de Bacardí tinham certeza que estariam no pequeno núcleo de privilegiados que poderiam realizar o retrocesso com muita segurança (...) Era natural que eles favorecessem a ‘Comissão para a Reconstrução Econômica de Cuba” (Blue Ribbon Commission on the Economic Reconstruction of Cuba). Essa comissão era outro apêndice da Fundação Forbes (3) “

”A Comissão foi lançada como um ‘projeto de transição política e econômica’, para estudar e dar respostas ‘ao caminho da reconstrução cubana’(4). Deveria agrupar informação sobre os setores chaves da economia na Ilha, formulando estratégias macroeconômicas que, no final, desembocassem numa economia de livre mercado, de recorte neoliberal. Aos novos governantes, segundo o ambicioso plano estruturado sem levar em conta ninguém no interior da Ilha, não deveria levar mais de dois anos para vender todos os ativos públicos. A privatização permitiria às empresas estrangeiras apossar-se de 80% das ações, de qualquer setor. Era uma espécie de liquidação com caráter de oferta.”

“Thomas Cox, especialista da Heritage Foundation para a América Latina, atuou como presidente da Comissão. Malcom Forbes, diretor da revista destinada a investidores atuou como diretor executivo. Também integraram a Comissão Arthur Laffer, o economista preferido do presidente Reagan; William Clark, do Conselho Nacional de Segurança; os políticos Robert Torricelli; Dante Fascel, Ileana Ros-Lethinen e Connie Mack; sem faltar (a ex-embaixadora) Jeane Kirkpatrick, nem o diretor da AFL-CIO, William Doherty. O vice-presidente era Jorge Mas Canosa, chefe da Fundação Nacional Cubano Americana, e quem se elegeria como futuro presidente da Cuba posrevolucionária (...)

”Ernesto Betancourt, ex-diretor de Radio Marti, escreveu um artigo no Nuevo Herald(5) reproduzido em The New York Times. Nele, Betancourt repele totalmente a “Comissão Especial para a Reconstrução de Econômica de Cuba”. Mas não é só isso. Também assegurava que o presidente Bush se equivocava ao apoiar a Fundação, ‘organização cuja liderança está dominada por ex-colaboradores da odiada ditadura de Batista e seus familiares’(...)

“Em outras partes do artigo, Betancourt se expressou sobre a criação desta ‘Comissão’ e seus propósitos:

“Em sua reunião anual (na primavera) a Fundação anunciou a formação de uma Comissão para desenhar um plano para a reconstrução econômica de Cuba (...) Jeb Bush, o filho do presidente, foi o anfitrião, e o ex-presidente Ronald Reagan esteve lá para dar sua bênção. (...) Se você fosse cubano, não pensaria que os Estados Unidos estavam gestando um plano determinado para o futuro de Cuba e que esta administração havia escolhido a Fundação Nacional Cubano-americana para levar a cabo? O grupo diz que tem compradores com desejo de pagar 15 000 000 (sic) por 60% da terra cubana e outros bens. Ninguém deu à Fundação autonomia para vender a Ilha...”(...)

Desde então, os proprietários da revista Forbes estiveram por trás dos planos contra essa nação caribeña, seu povo e seus dirigentes. Insistindo que Fidel Castro Ruz se aproveita pessoalmente das poucas riquezas materiais cubanas, busca, quiçá, semear dúvidas em seu povo, o qual muito, mas muito majoritariamente acredita nele de olhos fechados. E com essa espécie de desígnio, considerado um ataque, só consegue mais adeptos ao Comandante* Hernando Calvo Ospina é jornalista colombiano. Autor dos livros 'Dissidentes o mercenários' e 'Ron Bacardí. La guerra oculta', entre outros.

Notas(1) Kroll, Luisa, "Fortunes of kings, queens and dictators. Forbes, 5 de mayo 2006)(2) Calvo Ospina, Hernando. "Ron Bacardi. La guerra oculta". Libro editado, entre los años 200 y 2002, en español, francés, neerlandés, italiano, inglés, alemán. Basadas en su información, las cadenas televisivas BBC y la franco-alemana, Arte, realizaron documentales.(3) Fundación Nacional Cubano Americana, organización creada por el Consejo Nacional de Seguridad del presidente Ronald Reagan, en 1982, dedicada a buscar la desestabilización , por todos los medios posibles, de la Revolución cubana.(4) "For a free and democratic Cuba". Fundación Nacional Cubano Americana, Miami. No trae fecha de publicación, pero debió de haber sido editado a comienzos de los años noventa.(5) Betancourt, Ernesto. "La solución interna". El Nuevo Herald,

Miami, 13 de septiembre de 1991.___________________________________________________Forbes, inventor de fortunas, se niega a revelar la suyaJean Guy Allard2006-05-26Cubadebate

A fortuna dos FORBES

“Uma vez meu pai gastou cinco milhões de dólares para seu próprio aniversário, e, Tánger”, se vangloriava um dia Steve Forbes, filho de Malcom e multimilionário dono da revista Forbes ao perguntar por que não gastar alguns milhões mais para tentar ser Presidente dos Estados Unidos. O que não conseguiu.

Não era mentira. Malcom Forbes, seu genitor, era famoso por ser o que os norte-americanos chamam um “showman” – uma pessoa que chama atenção ao exibir grosseiramente sua fortuna – que viajava em um dirigível, comprava numa rajada caríssimos ovos de Faberge e poesia, uma coleção de 100 000 soldados de miniatura estimada em 1 milhão de dólares.

Para seu aniversário de 70 anos, decidiu ter certeza que todos sabiam que ele era escandalosamente rico por força de negócios nem sempre ortodoxos.


Alugou três aviões para trazer centenas de convidados (incluindo a então famosíssima atriz norte-americana Elizabeth Taylor ) em Tánger, Marrocos, onde sua propriedade consistia em um suntuoso palácio de 1880 metros quadrados, com 33 luxuosos quartos, no meio de 10 acres de terra. O lugar fora residência do Sultão do Império Otomano.

A party foi orgiástica, com a comida mais fina, os vinhos mais raros e 600 dançarinas do ventre e 200 cavaleiros de época com suas montarias selvagens que deram um show cuja loucura estava longe da renda média dos habitantes desse país da África do Norte.

1.2 MILHÕES AO ANO MAIS AS RENDAS 'MARGINAIS'

Malcolm Stevenson Forbes, Jr., nome completo do atual dono da revista que inventou a lenda dos “900 milhões de Fidel Castro” cresceu na fazenda da família de 40 acres, Far Hils, New Jersey, e foi maltratado por seu pai que o forçava a usar o kilt, a saia escocesa, e a tocar a típica gaita para os convidados, sobre o ostentoso yate da família, o Highlander.

Como Dan Quayle, George W. Bush e muitos outros filhinhos de papai, ele soube se safar de combater no Vietnã servindo à Guarda Nacional.

Aos 22 anos, começou a trabalhar na revista do pai, seu pai é o único patrão que ele nunca teve. Herdou logo o negócio onde recebe um salário de 1.2 milhões por ano, além, é claro de outras utilidades previstas no estatuto.

Apesar de ser questionado por muitos em seu talento como administrador, Forbes alcançou vendas de mais de 4500 páginas de publicidade por ano graças a uma política editorial bastante singular: não se publica más notícias sobre empresas que compram espaço. Steve Forbes ficou famoso por licenciar sua secretária, Ann Barton, quando ela ia celebrar 65 anos de idade apesar de já trabalhar pra ele há 13 anos. O motivo: Forbes avalia, e escreveu nos editoriais, que é preciso se desfazer fervorosamente de seu pessoal quando alcança essa idade.

Para sua primeira aventura presidencial, em 1996, Steve Forbes – filho de um velho sócio de Jorge Mas Canosa – escolheu como assessores dois velhos colaboradores do Senador No, Jessé Helms, conhecidos por gerir campanhas particularmente corruptas.
Sua gestão da Rádio Free Europe e Rádio Liberty – estações de propaganda anticomunista mantidas na Europa do Leste pela CIA – entregue a ele por Ronald Reagan na década de 80, foi um desastre financeiro pelo descontrole dos gastos.


Não se sabe o valor exato da sua participação financeira na anticubana Freedom House onde ocupa o posto de membro da junta. Freedom House é a casa mãe do Cento para uma Cuba Livre do agente da CIA Frank Calzón.


Por outro lado, a corporação Forbes também investiu em terras no Colorado e Missouri, que revendeu através de anúncios em suas próprias páginas. O caráter irregular do contrato de venda fez com que, há alguns anos, Forbes tivesse que reembolsar os compradores considerados vítimas de um roubo.

Steve Forbes que revela a suposta fortuna de alguns personagens conhecidos e até inventou, descaradamente, os “900 milhões” do máximo dirigente cubano, se negou a publicar informe de renda ao IRS, o serviço federal de impostos, quando tratou de conseguir a candidatura republicana à presidência.

Sabe-se que possui, além da sua residência e de vários outros inumeráveis bens, uma ilha em Fiji, um gigantesco yate, um Boeing 727 e um castelo na França, e as projeções mais otimistas sobre sua fortuna encontradas na Internet apontam contas na Suíça e situam seu capital em 800 bilhões de dólares.

A revista Fortune, por sua vez, avaliou o capital de Steve Forbes a um mínimo de 439 milhões e a fortuna familiar a aproximadamente 1,4 milhões de dólares.

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Revista Koeyu Latinoamericano

Sobre o Xadrez Energético

Um pouco acerca da questão asiática e os reais motivos da pretendida investida contra o Irã...

(...)OCS poderia se converter num obstáculo formidável aos sonhos imperiais dos “falcões-gasolina”. Os ministros de energia do Irã, Paquistão e Índia se reunirão novamente para examinar a proposta de construir um gasoduto que uma as três nações e abasteça com gás natural iraniano às duas últimas(...)


Sobre o Xadrez Energético

Por Juan Gelman

Zbigniew Brzezinski soube formular há anos: Ásia central é chave para dominar o mundo pelas suas reservas de petróleo e gás natural. Em seu livro The Grand Chessboard-American Primacy and it’s Strategic Imperatives (Basic Books, Nueva York, 1997), quem foi assessor de Carter, Reagan e Bush pai aponta que na Eurasia (Russia, Meio Oriente, Índia e China) se concentram três quartos dos recursos energéticos mundiais conhecidos e tira conclusões: para dominar o mundo inteiro, EUA deve controlar essa extensa região. Por outro lado têm a invasão do Iraque e Afeganistão, a projetada do Irã e a promoção de “mudanças democráticas” na Ucrânia e outros ex-membros da dissolvida União Soviética que, por acaso, também possuem importantes reservas de ouro negro. A realização do projeto está se tornando difícil para a Casa Branca e o vice Dick Cheney visitou o Kazajstão no início de maio com o objetivo de impor. No dia anterior havia criticado Moscou por seu uso do petróleo e gás natural como ferramentas de intimidação e chantagem (The New York Times, 6/5/06).

O presidente Kazako, Nursultan Nazarbayev, governa seu país com mão de ferro há doze anos. Em dezembro de 2005 ganhou seu terceiro mandato de seis anos com 91% dos votos, uma votação que lembra as da época soviética. Mas Kazajstán produz 1.200.000 barris de crú por dia e se estima que chegará a três milhões em 2015 quando a demanda mundial terá crescido 50% em comparação com 1993. Dessa forma, Cheney, o grande defensor da “liberdade” em todo o mundo, esqueceu suas veleidades democráticas para expressar “admiração” pelo ditador com a esperança de que fosse aceita a construção por empresas yankees imediatamente de um oleoduto que atravesse Azeibarján e desemboque na Turquia evitando passar pela Rússia. Foi um fracasso: o ministro de energia kazako não demorou em garantir a Moscou o transporte de petróleo russo a China pelo duto Atasu-Alashankou recentemente inaugurado.

Em junho de 2001 nasceu a Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) formada pela Rússia, China e quatro ex republicas soviéticas da Ásia Central: Kazajstão, Tadjikistão, Uzbekistão e Kirguisistão. No mês que vem o Irã, até agora só observador, será convidado a fazer parte da OCS como membro pleno e Li oTan, embaixador da China no Teherán, anunciou no último mês de abril a imediata adesão ao acordo de considerável dimensão: estima-se que seu valor será pelo menos 100 bilhões de dólares. Inclui a exploração conjunta da rica jazida marinha iraniana de Yadavarán e a compra de 250 milhões de toneladas de gás natural líquido em 25 anos pela China (www.globalre search.ca, 7/5/06). Não é a toa que Pekín se opõe às sanções contra o Irã que os EUA quer impor ao Conselho de Segurança da ONU.

No encontro da OCS que vai ocorrer no próximo 15 de junho será traçada uma estratégia comum entre esses países asiáticos, que inclui projetos conjuntos de oleodutos e prospecção de reservas petrolíferas, além de convidar a Mongólia, Paquistão e Índia para participar do organismo. A OCS poderia se converter num obstáculo formidável aos sonhos imperiais dos “falcões-gasolina”. Os ministros de energia do Irã, Paquistão e Índia se reunirão novamente para examinar a proposta de construir um gasoduto que uma as três nações e abasteça com gás natural iraniano às duas últimas. A Casa Branca, que sempre considerou Nova Deli o contra-peso de Pequim na região, pressiona duramente para impedir que esse projeto se concretize. A dor de cabeça maior para os projetistas da geopolítica norte-americana é, de fato, a China.

Em 18 de abril, o presidente Hu Jintao iniciou uma visita de quatro dias aos EUA e teve que suportar um par de insultos deliberados da Casa Branca. O mais grave aconteceu no encontro com Bush: ressoou o hino chinês, mas o de Taiwan, não o da República Popular. Hu ficou indiferente: terminada sua estadia em Washington ele foi à Arábia Saudita, que a Casa Branca considera uma pedra fundamental de sua política energética, onde assinou um acordo de cinco bilhões e 200 milhões de dólares destinados à construção de uma refinaria de petróleo e uma petroquímica no nordeste da China. Em seguido visitou a Nigéria, Kenia e Marrocos, países que estão dentro da esfera de influência estadounidense. Há dois meses o chefe do pentágono, Donald Rumsfeld, esteve em Rabat para vender armamento. Hu ofereceu a prospecção das reservas marroquinas de petróleo e gás natural.


Brzezinski destaca em seu livro que um dos imperativos de uma geoestratégia imperial consiste em impedir que os bárbaros se unam. Parece que eles estão se unindo e talvez aconteça antes do previsto uma profecia do que hoje é um neoconservador, realista: a longo prazo, as políticas globais serão cada vez mais incompatíveis com a concentração de poder hegemônico em um único estado. EUA não só é a primeira e única superpotência verdadeiramente mundial que já existiu, como também provavelmente será a última. Amém.
Fonte: http://www.pagina12.com.ar

Blogosfera Econômica

O parceiro do Joselmar, o Joel esta com este blog. tem um post interessante sobre como os celulares se tornaram um elemento da infra-estrutura básica.

Piadinha


Via Gustibus, fonte esta.

quarta-feira, maio 24, 2006

Interpretações Em Sociologia

Ando preparando uma interpretação sobre esta citação de Heidegger para uma avaliação da disciplina Sociologia III, no curso de Ciências Sociais, a luz de alguns textos trabalhados na disciplina. Devo terminar nesta terça-feira, dia 30 de maio. Até lá eu vou deixar o trecho aqui, em banho-maria.

Rodrigo Lessa

Aristóteles relata: narra-se de Heráclito uma palavra que teria dito aos forasteiros que queriam chegar até ele. Aproximando-se, viram-no como se aquecia junto ao forno. Detiveram-se surpresos; isto, sobretudo, porque Heráclito ainda os encorajou – a eles que hesitavam – convidando-os a entrar com as palavras: “pois aqui também os Deuses estão presentes...” O grupo de visitantes está frustrado e desconcertado na curiosidade que os levou a dirigirem-se ao pensador; o desconcerto é provocado pelo aspecto de sua moradia. O grupo iria ter que encontrar pensador em circunstâncias que, ao contrário do simples viver dos homens comuns, deveriam mostrar, em tudo, os traços do excepcional e do raro e por isso do emocionante. O grupo traz a esperança de, com sua visita, encontrar junto ao pensador coisas que – ao menos por um certo tempo – forneceriam assunto para uma conversa divertida e animada. Os estranhos que querem visitar o pensador esperam vê-lo talvez justamente no momento em que ele, mergulhado em profundas meditações, pensa. (...) Em vez disso, os curiosos encontram Heráclito junto ao forno. É um lugar banal e bastante comum. Sem dúvida, nele se assa pão. Ele está aí apenas para se aquecer. Assim revela ele neste lugar, sem dúvida, comum, toda a indigência de sua vida. A vista de um pensador passando frio oferece muito pouco de interessante. Os curiosos perdem, pois, com esta visão frustrante, logo a vontade de se aproximarem mais. Que farão ali? Este fato comum e sem encanto, de alguém estar com frio perto do forno, qualquer um pode revive-lo, em qualquer tempo, em casa. Para que procurar um pensador? Os visitantes se prestam a se afastarem. Heráclito lê a curiosidade frustrada em seus rostos. (...) Por isso, infunde-lhes coragem. Ele mesmo os convida a entrar, contudo, dizendo: “os Deuses aqui também estão presentes”.

HEIDEGGER, Martin. Sobre o Humanismo, pág. 170/171. Os Pensadores. Editora Abril, São Paulo, 1984.

Televisão

A 4 anos eu não tenho uma televisão em casa, me contento em assistir um pouquinho nos fins de semana, quando costumo ir para villas, como estou desempregado desde o mês passado tenho aproveitado para ficar mais em villas e, também, assistir mais televisão.

Além da superexposição da copa do mundo, percebi que a Rede Globo anda politicamente corretíssima. Suas novelas parecem os desenhos animados da Disney, cheias de lições de moral para passar.
Assisti a 10 minutos de Malhação e recebi as seguintes lições de moral;
1) Os paraplégicos também podem treinar um time de basquete
2) As mulheres bonitas não são menos eficientes que as feias, e também estão em pé de igualdade com os homens
3) Lésbica não é sinônimo de mulher-macho, ela também podem pode ser bonita e feminina.

Obviamente não se trata de uma coincidência a inclusão de temas politicamente corretos na trama, mas de uma política da Rede Globo em promover esses valores morais.
As outras novelas também são politicamente corretas apesar da menor intensidade; a das 6 mostra os absurdos da escravatura no Brasil e as das 7 e das 8 mostram em geral a ganância dos ricos, e dos pretendentes a rico, e as virtudes dos pobres. O Reinaldo Azevedo chamaria isso de pobrismo.

terça-feira, maio 23, 2006

Lost in Scandinavia - part V: como somos vistos abroad...

Pois é, estou de volta. No avião consegui ler alguns jornais - é bom poder ler e entender - dos quais destaco alguns comentários (o grande tópico sobre o Brasil é o q aconteceu em SP).

de um jornal português:
"... se o Brasil tem um ministro só para o Turismo e outro só para a Cultura, deveria ter um só para a Segurança Pública..." e depois nós ainda fazemos piada com os portugueses.
E olhem q o autor da nota provavelmente nem sabe q temos um ministro para a integração racial (não sei o nome deste ministério e nem o nome do ministro - alguem sabe?) e outros para tópicos como "mulheres", "pesca", e sei lá o q mais (estes sei da existencia, mas tb não sei nomes e duvido q vcs saibam).
"Sindicalistas alemães reinvindicam o direito de assistir aos jogos da Alemanha na Copa. No Brasil, quando joga a seleção canarinho todos vão para casa, patrões e empregados."

domingo, maio 21, 2006

Lost in Scandinavia - part III: regras, lá e cá

Por aqui (mais na Dinamarca, é verdade) o respeito as regras é absurdo para nossos padröes. As pessoas esperam no frio a sinal abrir - inclusive ciclistas - mesmo q näo venha um carro próximo, nem mesmo esteja a vista. Parece estranho ver um grupo de ciclistas esperando sinal verde para atravessar uma via sem nenhum movimento. Por outro lado, se vc se distrair e ficar no meio da ciclovia, será atropelado, pq eles näo väp desviar de vc, q está no lugar errado. Já por aí vemos deputados (os q fazem as leis) envolvidos em quadrilhas, presidentes dos orgaos máximos do judiciario (os q aplicam as leis) manejnado os julgamentos para favorecer carreiras politicas (suas e de outrem), governos negociando com grupos acima do estado, e por aí vai. É o outro lado da mesma moeda, o nosso desprezo a ideia que as regras se aplicam a todos. Por aqui sao excessivamente civilizados, mas nós estamos no caminho da barbarie.
Talvez um meio termo seja viável - pensei na Itália...