segunda-feira, agosto 22, 2005
Agora, Deus.
Os dois capítulos do livro “As formas Elementares da Vida Religiosa” abertos para o próximo encontro do asquintas, traçam uma perspectiva bem interessante sobre o fenômeno social correspondente à pré-fundação da noção de deus na sociedade. Na verdade, trabalharemos com um momento social bastante anterior, mesmo porque o assunto diz respeito ao exame do contexto que envolve o nascimento das religiões nos grupos sociais.
Para exemplificar e dar o toque empírico à explicação, Emile Durkheim trabalha evidências encontradas em tribos australianas. O fenômeno a ser identificado nestas tribos corresponde ao que ele denominou de totemismo de clã, pois se propõe a identificar o quadro social em que o clã cria um universo simbólico com fins de materializar uma espécie de vocação ou potência moral para a constituição de uma pequena sociedade. Esta potência moral se afigura pelos padrões sociais a serem institucionalizados naquele grupo, com fins de manter um mínimo de possibilidade de convivência entre seus membros.
Em suma, existe um conjunto de normas morais que precisam ser seguidas caso qualquer grupo disperso pretenda se unir formando uma unidade social. Como é praticamente impossível convencer estes indivíduos da necessidade de seguir estas normas morais por meios, digamos, verdadeiramente didáticos – “caro conterrâneo, se não seguirmos os padrões coletivos, a sociedade não se forma...” -, o clã fornece indivíduos que criam uma mistificação sobre um símbolo material santificado e passam a afirmar as normas de conduta da sociedade em nome deste símbolo. É como se a igreja católica pretendesse pregar os dez mandamentos, e, sentindo que não convencerá ninguém pelo caminho da necessidade de uma unidade social ou pela altivez das normas que defende, cria a idéia de um ser divino que trouxe os dez mandamentos e disse à Igreja que é ela a responsável pela pregação da verdade. (Peço que não considerem a experiência do cristianismo primitivo ao pé da letra).
Na verdade, o totemismo faz referência a uma atribuição simbólica mais primitiva, ou mesmo inicial, pois corresponde ao exato momento em que um pequeno grupo dá o ponta pé inicial para se unificar. Existe uma tendência nas tribos citadas no texto em tomar a figura de animais como símbolo totêmico. Desse modo, passa a existir o “clã do corvo”, o “clã do urso”, e assim por diante. Estes animais corporificam um significado que no fim das contas serve para obrigar os indivíduos a interiorizarem a moral coletiva, o conteúdo normativo da sociedade.
Pois bem: é assim a sociedade se forma. Um símbolo divino personifica esta potência moral que os indivíduos tem e passa a contribuir para um mínimo de uniformidade ou homogeneidade nas relações entre os indivíduos.
O papel crucial da religião.
É interessante perceber com esta análise que, de um certo modo, a religião é essencial na constituição de uma sociedade. Sem ela não existiriam países, Estados, nações ou povos sem território (o fenômeno judeu). Ela mantém a possibilidade desta unidade de padrões sociais, que são insubstituíveis à unificação de um grupo. Tomemos o exemplo de uma língua, ou padrão de linguagem: a noção de falar o idioma “X” é um padrão social. Se não houvesse, talvez, um elemento que garantisse a utilização de apenas um idioma, um mínimo de convivência seria impossível. A sociedade não se formaria sem concidadãos que se comunicassem. Caso uma coerção moral para manter a unidade do idioma fosse necessária num determinado contexto de formação primitiva, por exemplo, provavelmente um dos clérigos envolvidos na revelação da verdade diria que o seu deus o iluminou com a proibição da utilização de qualquer outro idioma que não o escolhido por ele no momento da revelação.
A ciência é (ou foi) foi religiosa.
Outro ponto importante encontrado no texto é o fato de o próprio exame científico de noções básicas do mundo físico se encontrar diretamente derivado da perspectiva religiosa encontrada em seu contexto sociológico. Um exemplo claro disso é o que aconteceu com a diferenciação da raça humana quanto a outros espécimes animais. De início algumas religiões atribuíram uma diferenciação indubitável quanto à distinção do homem frente aos outros animais, derivando ele de uma construção apartada e especial do criador, coisa empiricamente refutada ao longo da história. O próprio cristianismo se encarregou de elaborar esta diferenciação com o mito de “Adão e Eva”, embora o primeiro filósofo pré-socrático – e, portanto da história da filosofia –, Tales de Mileto, já tivesse concluído através de achados arqueológicos que o homem teria derivado de outros animais através de um tipo de mutação. O detalhe é que Tales de Mileto viveu no séc. VI a.c. e a principal fundamentação teológica que legitimou o cristianismo primitivo tenha surgido no séc. III, nove séculos depois, com Santo Agostinho e a sua obra “Cidade de Deus”.
Conclusão.
Assim, de forma objetiva, será importante examinar com este tema o fato de que a religião é uma produção social, tal como os mitos, crenças e os conhecimentos acerca de sua verdade revelada se traduzem em criações da mente humana para legitimar a transmissão dos ditos padrões sociais. A ciência ainda não define com clareza quais das inúmeras experiências supostamente transcendentais da vida humana são pura imaginação e quais demonstram algum tipo de fato extraordinário. Porém, seria interessante nos manter atentos a como este tipo de fenômeno se encaixa perfeitamente em algum tipo de contexto cultural e simbólico. Como cada movimento com este cunho místico se integra a uma normativa moral que, na imensa maioria das vezes, se pretende uniformizadora de relações sociais.
Alguns trechos elucidativos do texto.
“A força religiosa não é senão um sentimento que a coletividade inspira em seus membros, mas projetado pra fora das consciências que o experimentam e objetivado. Para se objetivar, ele se fixa num objeto que, assim, se torna sagrado; mas qualquer objeto pode desempenhar esse papel”.
“Tal é a matéria prima com que foram construídos os seres diversos que as religiões de todos os tempos consagraram e adoraram. Os espíritos, os demônios, os gênios e os deuses de todo porte não são senão formas concretas desta energia, que essa ‘potencialidade’, como diz Howitt, assumiu ao individualizar-se, ao fixar-se num objeto determinado ou em certo ponto do espaço, ao concentrar-se em torno de um ser ideal e legendário, mas concebido como real pela imaginação popular”.
“Com efeito, um deus é antes de tudo um ser que o homem concebe, sob certos aspectos, como superior a sim mesmo e do qual acredita depender. Quer se trate de uma personalidade consciente, como Zeus ou Jeová, quer e forças abstratas, como aquelas postas em ação no totemismo, o fiel, em ambos os casos, se crê obrigado a certas maneiras de agir que lhe são impostas pela natureza do princípio sagrado com o qual se sente em contato. Ora, também a sociedade provoca em nós a sensação de uma perpétua dependência”.
“Podemos dizer, com efeito, que o fiel não se engana quando crê na existência de uma força moral da qual depende e da qual extrai o melhor de si: essa força existe, é a sociedade”.
“Por isso, podemos estar certos de antemão que as práticas do culto, sejam elas quais forem, são algo mais do que movimentos sem alcance e gestos sem eficácia. Pelo simples fato de terem por função aparente estreitar os vínculos que unem o fiel ao seu deus, elas ao mesmo tempo estreitam realmente os vínculos que unem o indivíduo à sociedade da qual é membro, já que o deus não é senão a expressão figurada da sociedade”.
“Agora nos explicamos de onde vem a ambigüidade que as forças religiosas apresentam quando aparecem na história, de que maneira elas são físicas e humanas, morais e materiais ao mesmo tempo. Elas são forças morais por serem construídas inteiramente com as impressões que esse ser moral que é a coletividade desperta nesses outros seres morais que são os indivíduos; elas traduzem, não a maneira pela qual as coisas físicas afetam nossos sentidos, mas o modo como a consciência coletiva age sobre as consciências individuais. Sua autoridade não é senão uma forma da influência moral que a sociedade exerce sobre seus membros. Mas, por outro lado, elas não podem deixar de ser vistas como mito próximas das coisas materiais. Elas dominam, portanto, os dois mundos. Residem nos homens, mas, ao mesmo tempo, são os princípios vitais das coisas. Vivificam consciências e as disciplinam; mas são elas também que fazem que as plantas cresçam e os animais se reproduzam. É graças a essa dupla natureza que a religião pôde ser como a matriz em que se elaboram os principais germes da civilização humana. Posto que ela abarcava a realidade inteira, tanto o universo físico como o universo moral, as forças que movem o corpo e as que conduzem os espíritos foram concebidas sob forma religiosa. Eis aí como técnicas e práticas das mais diversas, tanto as que asseguram o funcionamento da vida moral (direito, moral, belas-artes) quanto as que servem à vida material (ciências da natureza, técnicas industriais), são, direta ou indiretamente, derivadas da religião”.
Rodrigo Lessa
Jogada de Mestre...
Os cartazes que estão nos ambientes acadêmicos já defendem uma série de pontos pouco específicos e nada claros, como "averiguação das denúncias até o fim", e declaram que o movimento tem crescido a cada dia. É evidente que eles não pretendem que passe destes pontos inócuos: apoiados ou mesmo despersonalizados pela articulação do governo Lula, além de literalemnte financiados - o governo tem pago os custos destas manifestações lideradas pela UNE - estão mesmo é se apropriando de um símbolo de caráter público que poderia ser útil a movimentos que desejassem depor o presidente. Coisa muito prouco provável, tendo em vista que o contingente envolvido na faixa etária que moveu o antigo movimento ainda não sabe o que foi que aconteceu com o governo do PT. E se sabem, continuam defendendo a idéia que isso é na verdade um golpe da direita.
Agora vai a pergunta: esse movimento de "Caras Pintadas" é de uma juventude que apoia o governo, ou é do próprio governo? Porque, indicativos para esta segunda hipótese não nos faltam. Primeiro, a UNE é dirigida pela plataforma jovem do PCdoB, partido este que apoia o governo. Segundo, os movimentos estão sendo deliberadamente pagos pelo governo, que todos sabem não anda bem das pernas. Terceiro, as diretrizes da manifestação não defendem nada que o próprio Lula, em suas aparições e discursos vazios na televisão.
Um tópico de um texto do site (www.une.org.br):
"Reivindicações, proposta de reforma política e apoio ao Presidente Lula"
E esta chamada:
"Por que a UNE está sendo atacada? As elites, com o apoio de setores da imprensa, desenvolvem uma campanha para desqualificar a posição política da UNE".
Ora, isso é uma reivindicação? Me respondam?
Pois então: nada mais inteligente do se apropriar da bandeira de um grupo que poderia lhe prejudicar, não é mesmo?
A partir de agora, se vocês ouvirem alguma propaganda do PSDB, PFL ou outros de oposição na mesma linha política, não estranhem: deve ser o Duda Mendonça juntando os cacos de um sonho fracassado.
Rodrigo Lessa
E o Palloci tb
Poderia ser pior?
O governo Lula fez um deserviço tão grande a esquerda brasileira, que ela vai demorar muito tempo pra se recuperar.
O discurso de que falta vontade politica, foi seriamente comprometido. O discurso de que existem politicos sérios nesse pais, também.
Este governo interditou qualquer debate sobre mudanças na politica economica, seus intelectuais desapareceram da vida pública, nem o Renato Janine Ribeiro mais se pronuncia, acabou o discurso petista.
Até as notas a imprensa do proprio PT, pedindo desculpas (é impressionante como no PT há crime, mas não há criminoso) contem um discurso mudancistas falso, de que querem as "reformas", baixar as taxas de juros, blá blá blá, como se estas medidas fossem ser adotadas quando o partido cheguesse ao poder. Alouuu, já chegou a mais de 2 anos.
Pra mim o PT foi ferido de morte, acabou. Apesar de continuar a ter seu eleitorado cativo, indiferente à realidade como o Maluf tem.
Resta a esquerda brasileira se dar conta disso.
andre
domingo, agosto 21, 2005
sexta-feira, agosto 19, 2005
A Reitoria da UFBA não Sabe Fazer Política
É interessante ver os doutores do grupo político ligado a reitoria da UFBA errar tanto politicamente quanto o assunto é greve nesta universidade.
Primeiro foi na greve estudantil, na qual combinaram com seus aliados no movimento estudantil a estratégia de contestar a greve em todos os fóruns possíveis.
Erraram, pois representavam a maioria dos estudantes, mas uma maioria muito desorganizada e individualista, desta forma a estratégia de retirar os cursos individualmente da greve (todo dia saia um lista atualizada dos cursos que já tinham saído da greve) se mostrou completamente contraproducente na assembléia geral da ufba, na qual os alunos dos cursos que já tinham saído da greve não pareceram mais, e os grevistas ganharam com mais folga na ultima assembléia em comparação com a penúltima.
Ai a reitoria teve aquela idéia genial de eliminar o semestre 2004.2, (eu entendi essa manobra como uma retaliação a greve estudantil e seus apoiadores). Ganharam o sindicato dos professores (APUB) e agora se começou a discutir a possibilidade de uma nova greve.
Percebam que o grupo contra a greve é uma maioria, mais uma maioria desorganizada. Esta semana na assembléia da APUB em um placar apertadíssimo foi aprovada um indicativo de greve.
Agora percebam, se estivéssemos começando o semestre de 2005.1 agora, se a reitoria não tivesse cancelado o semestre de 2004.2, eu aposto que uma dezena de professores ia olhar o atraso no calendário acadêmico e iriam rejeitar esta nova greve.
Resumindo: mais uma vez a reitoria ao tentar acabar com as greves acaba as incentivando. Aja incompetência.
Por: André Greve Pereira
quinta-feira, agosto 18, 2005
Pois é
Pois é, depois daquele discursos do Lula ("eu fui traido"), ele é no mínimo um incapaz de perceber o que acontecia na sua cozinha.
Agora os que falaram aquilo não mais o acham incapaz, e os petistas começam a torcer para que ele seja mesmo um.
quarta-feira, agosto 17, 2005
Reunião sexta
Pra entrar no grupo é só mandar um email para asquintas@grupos.com.br
O PT acabou sem nunca ter começado
O esquema de corrupçao montado (formação de quadrilha, sim senhor) não visava o enriquecimento pessoal (apesar de alguns casos como o do filho do Lula) mas a interferencia e subeverção do processo democrático. Tanto na compra do congresso quanto no financiamento de eleições (finalmente entendi pq Pellegrino teve a maior campanha pra prefeito de salvador).
A questão não é se a Veja é tendenciosa ou não, (ela assim como a Caros Amigos, tem todo o direito de ser assim).
A questão é se o maior beneficiário do esquema do esquema de corrupção, o Lula, é cumplice ou não dele?
Pois se ele era cumplice, participante, ou chefe da quadrilha, precisamos pedir seu afastamente da presidência da républica. Simples assim.
Agora, para pedir o afastamento do Lula não é preciso seguir os ritos trdicionais; via organizações estudantis que são em geral ligadas ao PT e ao PCdoB, ou fazer passeatas nas ruas.
Hoje boa parte das manifestações da sociedade civil são virtuais, os forum de debates se tornaram virtuais, via email, blogs, orkut. Ao contrário do que ocorria algum tempo atrás no qual as representaçõs estudantis eram vanguarda, não há mais espaço para elas na liderança, ainda que sua participação seja desejável.
Eu quero ver é o pessoal do PT e do PCdoB vir pedir voto pro Lula ano que vem, hahahahhaha, vai ser engraçado demais.
Vamos colocar agilidade nisso aqui
sábado, julho 16, 2005
Faltam 3 meses
Tenho me divertido muito lendo a literatura petista, a interpretação deles sobre a crise. Poucos petistas ainda se proproem a defender o partido em público, os que fazem são obiviamente expostos ao ridiculo de justificar o injustificavel.
Um exemplo, é o diretor da CAPES e filosofo, Renato Janine Ribeiro, que escreveu um artigo na Folha (02/07) afirmando que a corrupção é motivada pela desigualdade social, que o PT era o partido mais habilitado para combater a desigualdade e portanto o mais habilitado para combater a corrupção. hahahahaha, uma premissa questionavel e outra falsa levam a uma conclusão.... falsa, é claro. Na falta de uma base teorica razoável resta aos petistas inventarem as justificativas.
Lendo o texto do Renato, fiquei imaginando se ele não ficou com vergonha quando viu suas palavrinhas publicadas. Será que foi assim que tantos intelectuais no mundo (como Sartre, Neruda e Jorge Amado) utilizaram seus intelectos para justificar os crimes, as mentiras e atrocidades de Stalin?
Mas sim, queria ressaltar uma outra coisa; quando Delubio pediu seu afastamento da executiva do PT ele afirmou que o fato de seu patrimonio não ter crescido no periodo era prova de sua inocência. Muito interressante isto, considerando que o Delúbio não é inocente (alguem acredita que é?) e que, de fato ele não enriqueceu pessoalmente só podemos chegar a conclusão de que ele não roubou pra si, roubou por uma causa maior que o enriquecimento pessoal, roubou por uma finalidade que o partido representaria.
Quando Gabeira, Dirceu, Genoino e outros lutaram contra a ditadura militar, tinham uma mentalidade de guerrilheiros na qual as leis não se aplicavam a eles; roubar (desapropriar, pra usar a linguagem da epoca), matar, sequestrar eram atitudes aceitaveis e corajosas, a etica da finalidade.
Do jogo de cartas marcadas que era a “democracia na ditadura” a politica vai saindo aos poucos dos quarteis e vai se tornando aceitável, dái o divisor de aguas, uma parte da esquerda aceita suas regras e a outra parte participa do jogo sem aceita-las.
Essa escolha será dada pelo caráter e pela ética das pessoas que pela escolha ideológica, a questão aqui são valores morais e não valores ideológicos. Daí que acredito muita mais na ética de uma Heloisa Helena do que de um Lula por exemplo.
Contudo a justifica para burlar a lei continua sendo ideologica; Viveriamos numa democracia burguesa na qual os legitimos representantes do povo não seriam os eleitos e os eleitos não seriam legitimos. Daí a necessidade de financiar a campanha dos legitimos representantes do povo (lembram da caríssima campanha de Pelegrino), para que desta forma o povo vote corretamente e os legitimos sejam eleitos.
Quando participava do debate sobre a saida ou não da esquerda do PT do partido os que queriam ficar, argumentavam que o PT era um patrimonio grande demais para ser entregue a seu campo marjoritário. Pois agora não é mais, agora é exatamente o contrário ou será que o Lula presidente vai puxar voto de novo?
Os petistas que quiserem disputar a eleição em outro partido tem 3 meses pra sair, 3 meses e contando...
andregreve@yahoo.com.br
quinta-feira, junho 23, 2005
Golpe pra que?
Pra começar todo golpe precisa de motivos, golpe pra que? Qual atitude de Lula que desagrada tanto as elites, os banqueiros, o FMI, a Rede Globo, a ponto deles preparem um golpe?
Eu lhes respondo, nenhum.
Muito pelo contrário as elites deviam é agradecer ao Lula por fazer o que FHC não teve a “vontade política”de realizar, como o recente maior superávit primário da historia de 7,26%.
No mais o governo é a continuação do FHC em quase todas as áreas (faço ressalva a área cultural e de informática). Qual mudança de política desagrada tanto as elites na educação, ou na saúde, ou na economia, ou nos transportes, ou na área energética, ou na área ambiental, ou no campo. Qual mudança de política poderia desencadear um movimento para derrubar este governo?
Se em 64 as reformas de base assustaram a burguesia nacional, a classe média e os militares, que reformas o Lula fez ou faria para assustar estes grupos? A reforma da previdência? A reforma trabalhista? A independência do Banco Central?
Sem fatos concretos resta aos petistas reclamar do comportamento da Veja, que tenta desestabilizar o governo. Mas não é assim que funciona a democracia, ou será que deveríamos “regular” todas as revistas que tentam desestabilizar todos governos? Ou esta regra só vale pra este governo apenas?
Pois é, meus amigos, tá na hora dos petistas lançarem a campanha “Fica Lula” com a variante “Fica Lula/FMI” e mostrar que o comportamento desta oposição sim, é claramente golpista. Só não vê quem não quer.
André Greve Pereira
quinta-feira, junho 02, 2005
Software LIvre que é Sucesso
Na área de informática o governo federal, seguindo a experiência do governo de Olívio Dutra no RS, resolveu investir na difusão dos software livres (SL). O principal projeto é o recém lançado PConectado que pretende subsidiar a compra de computadores que rodem SLs até 1400 reais para famílias de baixa renda.
Mas por que os software Livres seriam importantes?
1- Economia de Custos
2- Segurança
3- Efeitos de Rede – O valor dos programas
4- Custo social de combate à pirataria
5- Inversão da propriedade intelectual – Copyleft
6- Tendência já estabelecida - O Futuro é Livre
1- Economia de Custos
Quanto custa uma licença do Windows para uma maquina? 100 reais, 200reais, 300reais... Quanto custa uma licença do pacote Oficce da Microsoft? Outros 100, 200, 300 reais... Quanto custa o sistema operacional Linux? È grátis se quiser baixar na internet, custa 10 reais na banca de revistas, ou 100 reais com manual e assistência técnica. E o pacote Office?A mesma coisa.
A economia é muito grande quando se contabiliza os custos no Brasil inteiro; veja a pesquisa da Softex/Unicamp (http://twiki.im.ufba.br/bin/view/PSL/Noticia20050428141923) que afirma:
“Estima-se que no Brasil (...) Além disso, o não pagamento de licenças pode significar uma economia de cerca de R$ 85 milhões/ ano.”
2- Segurança
Já ouviram a piada de que Atlântida era um continente que regulava suas comportas utilizando o Windows? Provavelmente não, mas a questão é a seguinte, sempre que a segurança e a estabilidade são muito importantes às empresas e instituições utilizam software livre.
Sabe o que a NASA, o Google, e 70% dos servidores na internet têm em comum, todos rodam SLs.
Para entender exatamente o que um software esta fazendo é necessário ver o seu código fonte (linhas de código) e não apenas ver o seu formato binário (ex: 01010101110) no qual os software proprietários são distribuídos.
3- Efeitos de Rede
Quanto vale um software? As teorias do valor-trabalho ou valor-utilidade explicam pouco o valor de um software, pois para ele (e para a maioria dos bens intelectuais) o seu valor é dado pela quantidade de usuários.
Quanto mais usuários o Windows tiver, mais ele vale e mais desejável ele se torna. O mesmo vale pra o Word, o MSN, o Linux, O OpenOffice. Isso significa que ao utilizar um Windows (pirata ou não) ou um Linux qualquer, a pessoa esta acrescentado valor a este software e esta incentivando seu uso.
Estes efeitos de rede explicam o porque software da mesma qualidade tem um valor menor. (Linux x Windows ou Microsoft Office x OpenOficce)
4- Custo social da Pirataria
Uma Outra conta que deve ser feita é o custo do estado em combater a pirataria. Recentemente os EUA colocaram o Brasil numa lista de paises que não respeitam a propriedade intelectual e ameaçam com retaliações comerciais, a União Européia está em vias de fazer o mesmo.
O custo de vigiar as pessoas quanto à pirataria de software é um custo, a mais, a ser arcado pelo estado. Além do mais, isso é pretexto para uma serie de tentativas de redução da liberdade; programas de troca de arquivos como o Napster são ilegais nos EUA, o próximo Windows (Longhorn) só rodará programas com certificado da Microsoft.
5- Inversão da propriedade intelectual – Copyleft
Esta é a grande sacada dos software livres (e daí o seu nome) é a inversão das licenças de propriedade intelectual, do copyright para o copyleft. Os SL são licenciados de uma forma que permite a qualquer pessoa; copiar, distribuir, vender os originais, modificar, vender versões modificadas do software, contanto que as versões modificadas também permitam todas estas liberdades.
Estas inversão na propriedade intelectual cria um circulo vicioso de difusão do conhecimento livre.
Exemplo: A Debian (grupo internacional de usuários) criou um Linux que roda direto do CD, o governo brasileiro (assim como outros paises) gostou da idéia e criou um Linux que roda do CD traduzido para o português o Kurumin. O Kurumim serviu de base para a criação de outros programas e outras distribuições Linux como o Kalango.
Mas o maior feito do copyleft é ele não se reduzir aos software, mas ser aplicado a todo o conhecimento, invertendo assim a idéia de propriedade privada que a informação tem. Exemplos de projetos de conhecimento livre são:
http://pt.wikipedia.org - Enciclopédia Livre
http://search.yahoo.com/cc - Material licenciado pela Creative Commons
6- Tendência já estabelecida - O Futuro é Livre
A internet tornou desnecessário o financiamento de um suporte físico para a reprodução e distribuição da informação. A difusão desta rede internacional criou o ambiente propício para a criação de um movimento mundial pelo conhecimento livre no qual os software livres são sua “vanguarda”.
“O sistema Linux respondeu em 2003, por 9% do mercado mundial de sistemas operacionais e a estimativa é que em 2007 seja responsável por 18%.” Softex/Unicamp
Lutar pelo software livre hoje, parece coisa de quem não tem o que fazer, mais acreditem no futuro isso fará uma diferença danada.
Por: André Greve Pereira
sábado, maio 07, 2005
Felicidade e Economia
A felicidade é principal objetivo dos homens individualmente, já o principal objetivo dos governos é o crescimento econômico e não a felicidade geral.
Recentemente assisti à monografia de Ana Carolina lá na faculdade (FCE-UFBA) sobre a economia da felicidade. Ela comprovou a tese do economista Eduardo Gianneti em seu livro “Felicidade” que era a seguinte: O crescimento econômico só aumenta o índice geral de felicidade quando tira as pessoas da pobreza, depois disso o crecimento econômico não traz um aumento de felicidade absoluto para o conjunto da população.
Exemplos (Ganneti): Os níveis de felicidade agregados dos EUA e Japão praticamente não se alteraram de 1960 ao ano 2000, apesar de sofrerem variações anuais.
Outra tese que a Ana Carolina demonstra é a de que dentro de uma sociedade as pessoas mais ricas são mais felizes que as mais pobres. A felicidade dentro de uma sociedade é um jogo de soma zero em que pra um ganhar, outro tem que perder. Que o sucesso (relativo) de uma pessoa é o fracasso (relativo). Que os bens de prestigio e conforto, trazem prestigio e conforto apenas se o outro não o tiver.
Combinando estas duas teses é possível perceber a validade da busca da felicidade como busca pela riqueza à nível individual. A nível coletivo (um pais, um sociedade) esta tese é falsa, tendo validade apenas quando o crescimento econômico tira pessoas da pobreza.
Uma coisa é certa, se considerarmos a busca da felicidade coletiva como principal principio ético, veremos que o combate a pobreza deve ser o grande objetivo dos governos e das instituições internacionais, e não o crescimento econômico pura e simplesmente.
Por: André Greve Pereira
Notas:
- Para se medir o numero de pessoas felizes foram feitas as mesmas pesquisas de opinião, com as mesmas perguntas em vários anos seguidos. Quando isto ocorre por 20, 30, 40 anos seguidos é possível analisar apenas as modificações estruturais da sociedade.
- Não se auferiu empiricamente se a redução das desigualdades de uma sociedade aumenta ou diminuem a felicidade geral, o que poderia levar em conclusão de que o socialismo seria a solução. O que fica claro é que retirar pessoas da pobreza aumenta a felicidade.
“O crescimento compra felicidade nos países extremamente pobres, mas a partir do momento em que a nação atinge determinado nível de renda (...), acréscimos adicionais de renda não mais se traduzem em ganhos de bem-estar subjetivo;”
“Décadas de forte crescimento econômico nos Estados Unidos, Europa e Japão na segunda metade do século XX muito pouco ou nada alteraram as proporções de indivíduos felizes e infelizes na população dos respectivos paises”
Eduardo Giannetti em seu livro “Felicidade” Editora Schwarcz, 2002, paginas 62 a 69
sexta-feira, abril 22, 2005
Religião
Não existe religião progressista
No colégio tive um professor de história que era de esquerda e se recusava a dar esmola, pois este seria o papel do Estado. Nesta polemica toda sobre o papa não faltaram torcida e palpites no sentido da religião ocupar o papel inicialmente destinado ao estado e que ela se enquadrasse no politicamente correto.
Vimos com a eleição do papa um bando de gente falar que a igreja católica deveria ser voltada para o social, liberar o uso da camisinha, o casamento gay, o aborto, a ordenação de mulheres,etc... ser progressista (um elogio) ao invés de ortodoxa (um xingamento).
Não sou católico e acho que isso é problema deles e ponto final. Por sinal são poucos os católicos hoje em dia, poucos estão dispostos a seguir o que manda a religião católica, querem sim que a religião se relativize, que libere tudo que a pessoa já está fazendo e seja politicamente correta.
Ser cristão e ser católico são duas coisas distintas. Cristão é quem crê em Jesus Cristo, católico quem aceita a interpretação da igreja católica sobre os ensinamentos de Jesus. Portanto não existe “católico a seu modo” como Caludio Humes caracterizou o Lula. E boa parte dos que se consideram católicos são na verdade cristãos.
Católico não faz sexo sem fins reprodutivos e fora da instituição sagrada do casamento, quem faz este tipo de coisa deveria ou mudar seu comportamento ou deixar de ser católico, afinal a igreja católica não é uma democracia
Não existe espaço dentro do catolicismo para mudanças sérias nas doutrinas (como a teologia da libertação ou a teologia africana), quem tem uma interpretação diferente dos ensinamentos de Jesus deveria de fato fundar uma nova igreja, e muitos o fazem.
O papel da igreja católica não é o de abrir exceções e adaptar a doutrina a realidade ou aos costumes de certas regiões mas de servir de unificar os costumes das diferentes pessoas em diferentes regiões a sua interpretação dos ensinamentos de Jesus.
Moderno x Pós-moderno
Penso eu, que os tempos mudaram e a vida (urbana e pós-moderna) vai reduzir pouco a pouco a fé das pessoas nos pilares centrais das religiões modernas; cristianismo, islamismo e judaísmo.
Estas três religiões monoteístas difundem valores que levam as pessoas a terem ódio de si, ódio dos outros, a negar a carne, os desejos, as paixões, as pulsões, a vida.
Percebam que estes valores combinavam perfeitamente com as sociedades anteriores, moderna, feudal, etc... a vida urbana prega exatamente o contrario; elogia a carne, os desejos, as paixões, as pulsões, a vida.
Estamos vendo surgir uma moral e uma ética pós-cristã, pós-verdade revelada, pós-escrituras sagradas, pós-fogo do inferno.
Por: André Greve Pereira
domingo, março 20, 2005
A Onda Agora é A “Abolição”!
Se a abolição da escravidão pariu o desemprego, a abolição da fome vai parir o quê?
(Deja-vi. À segunda feira do dia 14 de março deste ano, um grito ecoou de uma das tribunas da ONU aos ouvidos desatentos dos brasileiros. Disse alguém: “vamos ‘abolir’ a fome, da mesma forma que fizemos com a escravidão!”. Desatento ou não, (brasileiro) eu acho mesmo é que a fome não deva ser “abolida”, no sentido denotado pelo autor do ilustrado comentário. Afinal, abolimos a escravidão e parimos o desemprego: creio que com a fome a hipocrisia irá se repetir. Mas vamos aos fatos...).
Pois bem. Foi em meio ao Fórum Social Mundial, realizado em Davos recentemente. Precisamente na edição do dia 14 de março foi publicada na “Folha” a entrevista de um conhecido sociólogo chamado José Bengala (membro da subcomissão para Promoção e Proteção dos Direitos Humanos e presidente do grupo de estudo de extrema pobreza e direitos humanos, ambos ligados à ONU) trazendo a sua retórica sobre o problema da fome, debatida na explanação que protagonizou no evento.
Segundo ele o eminente problema se resolveria com uma “abolição da fome” no mundo, deslegitimando a sua existência através de um conjunto de normas de caráter internacional que obrigassem os governos de diversos países (em sua maioria subdesenvolvidos) a combatê-la com mais dedicação.
Acontece que esta “ascensão de um sistema jurídico internacional” , como ele mesmo coloca, apontando ainda a globalização dos direitos humanos como um caminho saudável a ser traçado, relembra na alma deste humilde brasileiro a desconfiança de que, sob este pensamento, a fome vai permear a mesma “evolução” hipócrita alcançada com o fim da escravidão. Nesta oportunidade, fingimos que resolvemos o problema enquanto os senhores da miséria e da exploração riam com a conservação de sua agradável dominação exploradora sobre os novos alforriados: os trabalhadores.
Em verdade, a suposta solução dada pelo sociólogo só muda um pouco o foco da frente de luta contra a fome, sem tirar o poder de mudança das mãos de quem já não se mostra interessado em soluciona-la...
Para perceber este detalhe basta se perguntar em poder de quem se encontra a criação de normas jurídicas e os instrumentos para pô-las em funcionamento. De uma elite obviamente. Ela desenvolve ou viola normas conforme o seu interesse, pois detém poder sobre o mecanismo normativo, tratando seus preceitos e princípios a luz de seu livre arbítrio. Ao seu bel prazer a “burguesia, então, reservará a ilegalidade dos direitos: a possibilidade de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; fazer funcionar todo um imenso setor da circulação econômica por um jogo que se desenrola nas margens da legislação – margens previstas por seus silêncios , ou liberadas por uma tolerância de fato”, como dispunha Michel Foucault em “Vigiar e Punir”.
A elite não passa fome. E por mais que se sensibilize com a causa dos miseráveis, irá tolerar qualquer ilegalidade se, baseada em seu próprio interesse, não visionar retorno ou ganho em punir. Fortalecer uma campanha em seu meio para cantar novas normas de combate à fome pode até resultar num incremento de novos artigos e regimentos ao rol do sistema jurídico internacional, mas não haverá um esforço deste mecanismo em vias de combate à fome caso não se funde num interesse comum ao da burguesia citada por Foucault.
Ora, poderia restar ainda uma ação dos humanistas convictos, crentes mesmo na sensibilidade humana dessa elite para mover esforços a uma causa tão nobre. Uma grande idéia, se a mesma não detivesse interesses em conflito com o combate a fome.
Prova disso é que do lado de cá da América tem muita gente insatisfeita com a ONU: principalmente no que diz respeito ao FMI e ao Banco Mundial. As sugestões de caráter altamente impositivo destes órgãos sob governos sul-americanos tem obrigado os mesmos a apertar seus tímidos orçamentos dedicados a necessidades básicas – como o combate à fome – , para cobrir juros de dívidas históricas. Dívidas estas que tem como credores países que gastam rios de dinheiro com guerras a supostos “vilões” internacionais.
Mas se os direitos humanos já não são lá tão respeitados assim, buscar “globalizá-los”, com é a intenção de José Bengala, só diminuirá o seu alcance prático. Isso porque a globalização jamais foi algo além de um emaranhado de agentes internacionais debruçados sob um interesse incondicional por negócios de alto poder lucrativo ao redor do mundo, sendo os impactos provenientes de investimento e retirada de capital, questões pouco importantes – dinâmica nas comunicações e tecnologia a serviço da humanidade é só propaganda. Se fábricas fecham e milhares de trabalhadores são postos à rua para passar fome, realmente não importa aos verdadeiros beneficiários da globalização: se o lucro não compensa, lá o seu capital precioso não poderá continuar; (“deverá haver outro lugar onde a mão de obra é mais barata...”).
O posicionamento do sociólogo em tão importante fórum mundial para debates sobre temas relacionados à fome, embora pretendente a ser bem fundamentado e produtivo, denota um contexto que, cá no Brasil, nós conhecemos muito bem. “Abolir” fome – em menção à suposta vitória à supressão da escravidão – não compreende uma proposta responsável, efetiva. E mesmo que historicamente alcançássemos um momento que a propiciasse, repetindo o contexto do fim séc IX, um movimento de deslegitimarão jurídica da miséria – tal como foi deslegitimada a escravidão – com certeza o projeto mais completo e abrangente não passaria de um paliativo. E “abolir” a fome não vai passar de mais uma medida hipócrita.
Com todo respeito aos letrados da ONU: cá nós sabemos de verdade o que significa (ou não significa) uma abolição. E fim de papo.
Rodrigo Lessa
domingo, março 06, 2005
As elites (e a direita) são malvadas
É incrível, como o governo Lula que faz um governo muito parecido com seu antecessor (considerado neoliberal) pode ser considerado de esquerda pela ampla maioria da população.
José Genoino afirmou em artigo recente que o PT (e o governo, até porque eles se confundem) era um partido de esquerda pois estava ligado aos movimentos sociais. Devo dizer que concordo com ele, a maioria dos movimentos sociais são de esquerda e o partido que tem o seu apoio deve assim ser caracterizado.
Pois bem, ninguém se surpreenderia se o ministro da saúde do governo FHC criasse as farmácias populares para vender medicamentos que antes eram dados de graça, ou se seu ministro da educação fizesse uma reforma universitária que investisse dinheiro nas universidades privadas ao invés das públicas. Porque seriam políticas neoliberais próprias de um governo neoliberal como era considerado o de FHC.
Já as políticas públicas do governo Lula que são realmente novas, conseguem ser mais desastrosa que as da agenda antiga. O caso do antes famoso Fome Zero e do bolsa-escola que se transformaram no bolsa-família, é um exemplo. Criou-se um mega plano de acabar com a fome divulgado internacionalmente, que simplesmente não funcionou (espero que, o ex-fome zero e hoje bolsa-família, dessa vez vá pra frente) e se destruiu um programa que precisava ser ampliado, o Bolsa Escola.
A inoperância desta nova agenda é tanta que chegamos a um ponto em que: “o que funciona não é novo, e o que é novo não funciona.”
Sem uma agenda de esquerda, utilizando na verdade a agenda do seu antecessor (dito neoliberal) na maioria dos casos o governo segue combinando; a cooptação dos movimentos sociais com um discurso esquerdista que hostiliza a direita, seja nas suas intenções, seja na sua competência, seja em ambas as coisas.
Mas por que os ministros mais importantes (educação, saúde, trabalho, fazenda) e grande parte dos menos importantes são esquerdistas (definição de José Genoino) já que eles implementam uma agenda neoliberal? Que diferença faria chamar o Delfin Neto pra fazenda ou deixar o Armínio Fraga no BC, ou chamar o Zé Serra pra saúde.... que diferença faria meus amigos?
Bem, na pratica não faria nenhuma, contudo é impossível explicar que o governo Lula é de esquerda tendo estas figuras no ministério. Daí as resistências ao nome de Roseana Sarney e de outras pessoas já folclorizadas como de direita.
Apesar de não mais ser de esquerda na pratica (ao aplicar uma agenda neoliberal) o governo ainda é de esquerda nas aparências. Ministro da reforma agrária é um legitimo representante da esquerda petista e assim deve ser para tentar explicar ao MST como seu governo assentou menos gente que o governo FHC no mesmo período. Assim como a ministra do meio ambiente não pode ser culpada pelo aumento do desmatamento.
Qualquer ambientalista já teria rompido com este governo se o ministro do meio ambiente fosse um Sarney. Assim como o MST já teria rompido com o governo, se um dos seus não fosse o ministro da reforma agrária.
Mas só aparência só não basta tem que discursar, fazer bravatas como disse o Lula. Tem que falar mal do agronegócio, dos latifundiários, das multinacionais, das pessoas ricas, das elites e da direita de modo geral.
Se FHC voltar nenhum grande projeto será paralisado, mas o país voltará a ser comandado pela elite maldosa ao invés dos bondosos trabalhadores. No populismo o governador chantageia as elites com o povo, no Lulismo o povo é chantageado pelo domador das elites.
A eleição do Severino Cavalcante para a presidência da câmara, se explica pelo desprezo pelo qual os petistas tratam os não-petistas. Os tratam como cidadãos de segunda classe, que só pensam nos seus interesses e estão sempre dispostos a fazer maldades.
A política de tratar aliados como agregados, e agregados como quase-inimigos acompanha o PT (e a esquerda) durante toda a sua historia e é a principal responsável pelas suas derrotas e pela sua rejeição.
Falar mal da direita e das elites é condição básica e necessária para este governo ainda ser considerado de esquerda. Afinal, se as elites não fossem maldosas o que teria Lula para oferecer?
Por: André Greve Pereira
Para entra na lista de AsquintaS é so mandar um email para: asquintas@grupos.com.br


